Enquanto era atendido, Koné usou um pequeno dispositivo conhecido como “apito verde”, utilizado em alguns países para proporcionar alívio rápido da dor em situações de trauma.
O dispositivo contém uma substância chamada metoxiflurano, um medicamento inalatório que age no sistema nervoso central e ajuda a reduzir a sensação de dor. A principal diferença é que o próprio paciente controla a administração da medicação por meio da respiração.
Segundo a anestesiologista Roberta Risso, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, o efeito costuma ser rápido. “O início de ação acontece em cerca de um a três minutos. O paciente faz algumas inalações e, conforme a dor melhora, ele interrompe o uso”, explica.
De acordo com a médica, o alívio da dor dura, em média, entre 20 e 25 minutos, período considerado suficiente para estabilizar o paciente até a chegada a um hospital. Caso necessário, uma segunda dose pode ser administrada dentro dos limites de segurança estabelecidos para o medicamento.
Apesar de atuar no sistema nervoso central, o metoxiflurano é utilizado em baixa dose no dispositivo. Por isso, segundo Roberta, ele não costuma alterar o nível de consciência de pacientes. O uso, porém, é contraindicado para pessoas em estado de inconsciência, gestantes, menores de 18 anos e pacientes com pressão arterial instável ou sinais de comprometimento da circulação sanguínea.
Utilizado em países como Austrália, Reino Unido e Canadá, o “apito verde” ainda não está disponível no Brasil. Por aqui, o controle da dor em situações de trauma costuma ser feito com medicamentos como a morfina. Segundo a anestesiologista, atualmente não existe no País nenhum fármaco de autoadministração para alívio rápido da dor.
Como funciona a reabilitação após a lesão
A lesão de Koné impressionou quem assistia à partida. Por conta da fratura na região da canela, o jogador está fora da Copa e sua recuperação deve durar meses.
De acordo com Luiz Felipe Ambra, ortopedista do Hospital Municipal M’Boi Mirim, gerido pelo Einstein, diversos fatores influenciam o tempo de recuperação após uma fratura na perna. Entre os principais estão:
- tipo e localização da fratura;
- grau de desvio dos fragmentos ósseos;
- presença ou não de lesões em músculos, pele e outras partes moles;
- necessidade de cirurgia;
- qualidade biológica do osso e da região afetada;
- idade e estado nutricional do paciente;
- ausência de complicações, como infecções;
- adesão ao programa de reabilitação.
A recuperação acontece de forma gradual. Inicialmente, o foco é controlar a dor e o inchaço, além de preservar a mobilidade das articulações próximas à lesão. Em seguida, começam os exercícios para recuperar os movimentos e fortalecer a musculatura.
No caso de jogadores, são introduzidos treinos de equilíbrio, corrida progressiva, mudanças de direção e atividades específicas do futebol. O trabalho com bola costuma ser liberado apenas quando há consolidação óssea adequada, ausência de dor e recuperação da força muscular.
De acordo com o ortopedista, o retorno aos gramados geralmente acontece entre quatro e nove meses após a lesão, embora esse prazo possa variar conforme a gravidade do quadro e a evolução da recuperação. “O retorno ao esporte não depende apenas da consolidação do osso, mas também da recuperação da capacidade física e da confiança do atleta”, afirma./AE
(Foto: Reprodução)





