Por Reginaldo Silva- Professor, Radialista e Jornalista

Precisamente em 18 de julho de 2022, Roberto Cláudio saiu carregado nos braços de manifestantes após a votação para escolha do candidato do PDT para disputar o Governo do Estado. Aquela noite ficaria marcada como o início da ruptura entre as duas alas pedetistas e o fim da aliança entre PT e PDT.
Roberto Cláudio foi eleito naquele 18 de julho de 2022 pelo Diretório Regional da legenda com 54 votos a favor e 29 que optaram pela reeleição de Izolda. O clima de euforia e discursos de união, não se concretizariam no dia seguinte.
Já naquela noite, nem Ciro e nem Cid participaram do evento de votação. Nos bastidores, houve intensa movimentação de ambos os lados para definir o nome do candidato. Cid defendendo a reeleição de Izolda ao lado de Camilo Santana e Ciro em defesa de um palanque puro para Roberto Cláudio.
A ausência dos dois na reunião já anunciava o rompimento que ainda não queriam expor publicamente.
O fatídico julho de 2022 também sinalizava que os próximos julhos já não seriam os mesmos. Um ano depois, Ciro reclama de “traição” por falta de apoio do irmão Cid Gomes naquela campanha. Cid se defende dizendo que não existe traição quando se tem ciência do fato, ou seja, Ciro teria sido avisado previamente pelo irmão de que não embarcaria naquela circunstância em defesa do nome de Roberto Cláudio, se reservou ao silêncio e caracterizou o episódio como “imposição” de candidatura.
Julho de 2023. Se ambos não compareceram a reunião do Diretório Regional em 2022, Ciro e Cid agora participaram de uma reunião do Diretório Nacional, curiosamente em julho de 2023, um de forma presencial e o outro de forma remota, debatendo sobre decisão do mesmo Diretório Regional que escolheu Roberto Cláudio como candidato a governador do partido. Agora, com uma diferença, esse Diretório Regional já não tem o mesmo pensamento de julho de 2022.
O Diretório Regional do PDT que escolheu Roberto Cláudio para ser candidato a governador, em sua maioria, agora reconhece que Cid Gomes deve presidir o partido e definir novos rumos para legenda, um ano depois da eleição, que levaram Ciro e Roberto Cláudio a duas derrotas fragorosas em 2022. O mesmo diretório aponta agora para um norte diferente.
Ciro, André e Roberto Cláudio defendem que o deputado federal André Figueiredo continue na presidência do partido no estado. Cid inverteu o jogo e quer que o mesmo Diretório Regional que deu direito a Roberto Cláudio de se candidatar a governador também decida com quem deve ficar com a presidência do partido no Ceará.
Após a reunião de julho de 2023, as narrativas se intensificaram de um lado e de outro, com argumentos que tentam ganhar os partidários e a opinião pública.
A separação nada amistosa, ainda sem desfecho, segue em direção a julho de 2024, com uma dúvida e uma certeza. A dúvida é se até lá, a ala cidista ainda permanecerá no PDT, diante de tantos conflitos e a certeza, é a de que julho, definitivamente, não é bom mês para o PDT.





