O cuidado com a saúde mental dos alunos, o caso do surto coletivo de Recife serve de alerta

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Depois de dois anos de pandemia e isolamento social, muitos alunos perderam o hábito das atividades diárias de uma escola, por conta do ensino remoto, bem como deixaram de sentir as tensões ocasionadas pelas avaliações das unidades educacionais e da aplicação de provas em larga escala.

O resultado desses ingredientes veio a tona em uma escola do Recife (PE) no último dia 8 de abril. A Escola de Referência em Ensino Médio (Erem) Ageu Magalhães, no bairro Tamarineira, na Zona Norte do Recife, registrou por volta das 15h 30min, após a refeição, 26 alunos começaram a ter uma espécie de crise de pânico, ou, para alguns, de ansiedade generalizada.

Aos poucos os alunos um por um, foram deitando no chão das salas, suando muito e apresentando tremores, alguns chegaram a desmaiar e todos choravam e tinham dificuldade para respirar. O pânico foi geral.

Com quase três dezenas de alunos descontrolados, sem conseguirem manter a calma, a direção da escola precisou acionar o Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu), que enviou ao local seis ambulâncias, entre elas uma UTI, e duas motos para atendimento prioritário.

A Prefeitura do Recife informou que foi necessário mobilizar 16 profissionais para dar conta de tantos atendimentos simultâneos na ocorrência, esclarecendo ainda que nenhum dos jovens precisou de remoção para o hospital. Pais foram avisados pelos filhos e acabaram se dirigindo à escola, o que tornou a confusão ainda maior com a chegada dos genitores a unidade escolar.

De acordo com alunos da Ageu Magalhães, a semana de provas, depois de tanto tempo com aulas remotas, em decorrência da pandemia da Covid-19, teria deixado alguns colegas aflitos demais, a ponto de se descontrolarem e darem início a uma espécie de “histeria coletiva”, um fenômeno sociopsicológico que se manifesta quando um grupo de pessoas passa a apresentar um comportamento, ou sintomas, conjunta e simultaneamente, quase sempre perdendo a capacidade de discernimento e de consciência.

Nas redes sociais, o episódio provocou preocupação em muitos internautas, que salientaram a importância de se monitorar a saúde mental dos jovens, especialmente depois de um período de reclusão como foi a pandemia da Covid-19.

Diretores, coordenadores e professores devem ficar atentos a essas alterações de comportamento e buscar a ajuda de profissionais especializados, principalmente neste primeiro momento de volta às aulas após o período de isolamento social ocasionado pela pandemia da Covid-19.

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