A mudança é mais intensa do que a observada no conjunto total da população, em que o percentual de pessoas sem afiliação religiosa subiu de 9,7% para 11,9% no período. O estudo ouviu mais de 21 mil brasileiros de diferentes faixas etárias em todo o país.
Os dados indicam também uma queda na importância atribuída à fé entre adolescentes, mesmo aqueles que adotam uma religião.
Em 2012, 66,2% diziam que a religião era “muito importante”; em 2023, o índice recuou para 58,4%. Entre adultos, o indicador permaneceu praticamente estável, enquanto entre idosos segue elevado —acima de 84%.
O levantamento confirma ainda mudanças no perfil religioso do país. A proporção de católicos caiu de 72,3% para 63,2% entre 2012 e 2023, enquanto a de protestantes cresceu de 27,7% para 36,7%. Apesar disso, a maioria dos brasileiros continua vinculada a alguma religião, sobretudo entre os mais velhos.
Diferenças de gênero e escolaridade persistem. Em 2023, 89,5% das mulheres declararam ter religião, ante 85,8% dos homens. Elas também atribuem mais importância à fé: 79,4% consideram a religião muito relevante no cotidiano, contra 69,3% dos homens. Entre pessoas com menor escolaridade, o peso da religião também é maior.
Coordenadora da pesquisa, a psiquiatra Clarice Madruga afirma que as novas gerações mantêm uma relação mais distante das instituições religiosas. “Esse movimento ajuda a explicar por que o crescimento dos sem religião é mais acelerado entre adolescentes, enquanto os mais velhos mantêm níveis muito elevados de vínculo e importância à religião”, diz./Folha SP
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