/Nova Russas: Teodorico e a direita independente, 30 anos depois. Por Reginaldo Silva

Nova Russas: Teodorico e a direita independente, 30 anos depois. Por Reginaldo Silva

Paradigma é um modelo ou padrão a ser seguido. Ele pode ser criado, mantido ou alterado. O mais novo grupo político de Nova Russas, intitulado de direita independente surgiu na campanha presidencial de Jair Bolsonaro (PSL), sem nenhum general e com todos os participantes de mesma patente.

Essa semana o grupo esteve na capital cearense e conversou com os deputados Heitor Freire (PSL) e Capitão Wagner (Pros). Na pauta, os representantes da direita independente demonstraram o interesse de assumir o comando das duas siglas no município, PSL e Pros. O objetivo é montar uma estrutura para disputar as eleições municipais em 2020.

É prematuro qualquer prognóstico, mas, a direita independente reedita um feito político trinta anos depois, a histórica eleição de 1988 em Nova Russas. Naquele pleito tivemos quatro candidatos a prefeito. Chico Rosa que venceria a eleição por 6.423 votos, Xavier Farias com 6.062, Adalberto Tavares 727 e Teodorico Costa 103 votos.

Pouca gente sabe e menos gente ainda lembra da participação de Teodorico naquela eleição. Ele disputou o pleito pelo Partido dos Trabalhadores, numa verdadeira quebra de paradigmas para aquela época. Teodorico perdeu a eleição, mas não se curvou as elites, demonstrou coragem e ousadia em enfrentar os fortes grupos políticos daquele período. O PT de Nova Russas deve muito a semente plantada por Teodorico, mas o partido não soube regá-la ao longo dos anos.

O novo grupo político que se forma no município, reedita a ousadia de Teodorico, agora pela direita. O resultado é incerto e o caminho é longo, mas, ninguém tem o direito de desencorajá-los, pelo contrário, incentivar a participação no debate político fortalece a democracia.

Trinta anos depois, Nova Russas continua sendo uma sociedade, patriarcal, elitista e conservadora em seus costumes. Como diria o historiador Boris Fausto, sobre a sociedade colonial brasileira, os detentores do poder manipulam as decisões, para exercerem o controle das massas e manterem o “status quo”.

Naquela época, Teodorico tinha uma identidade com a classe trabalhadora. É razoável que o novo bloco político crie uma identidade e mostre sua independência. Não dá para ser independente com membros do grupo ligados a outros grupos políticos.

Embora pareça distante, 2020 bate à sua porta e o próximo ou próxima governante já deve começar a pensar nos desafios que a cidade enfrentará as portas de seu centenário.

Trinta anos depois de Teodorico, as ideias de ousadia, coragem e de luta por uma sociedade mais justa e igualitária persistem. O debate é o primeiro passo em direção ao caminho de uma nova era.

Bem vindos ao mundo das ideias. Teodorico vive!

 

 

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