/Nova Russas: passagem molhada, atoleiro e praça da Espacinha. Por Reginaldo Silva

Nova Russas: passagem molhada, atoleiro e praça da Espacinha. Por Reginaldo Silva

Nos últimos dias o prefeito Rafael Pedrosa, inaugurou duas obras no município. Uma passagem molhada na localidade de Campos e a praça do distrito de Espacinha. As duas obras servem como parâmetros para reflexões.

A inauguração da passagem molhada da localidade de Campos e da praça da Espacinha revelam que o prefeito não tem mais a mesma popularidade do início do mandato. Antes, uma simples publicação em uma de suas redes sociais lhe rendiam milhares de curtidas e comentários. É óbvio que esse fator, por si só, não é um balizador de popularidade. Os  poucos funcionários comissionados da administração que comparecem as inaugurações revelam um distanciamento do povo com a gestão.

A falta de participação popular em eventos da prefeitura, seria um descontentamento com o gestor, ou há uma insatisfação generalizada com a política? No caso dessas duas obras, também existem suas peculiaridades. Elas foram prometidas por tantas pessoas, esperadas por tantas eleições, que quando chegaram, perderam um pouco do brilho.

Rafael foi o mais votado no distrito de Espacinha na última eleição. Durante um bom tempo na gestão passada, trabalhou como médico do PSF na comunidade, era bem remunerado pela profissão, não fez nenhum trabalho voluntário. A concretização da praça no distrito era mais que uma dívida, era uma forma justa de recompensa por algo que já havia sido pago antecipadamente.

Um vídeo de um ônibus escolar sem placa atolado na estrada que da acesso ao distrito de Nova Betânia correu os grupos de WhatsApp no município, onde um dos moradores da comunidade denunciava o descaso com as estradas vicinais. Ele chegou a classificar de pouca vergonha o estado em que se encontrava as estradas que dão acesso à Nova Betânia. O vídeo também revela insatisfação de um distrito onde Rafael Pedrosa também foi o mais votado.

É fácil perceber que o povo da a oportunidade e espera que seus esforços sejam reconhecidos. Quando isso não acontece vem o descontentamento e, consequentemente a queda de popularidade, como uma espécie de síndrome da esteira. A pessoa corre, sua e não sai do lugar.

Por que esse ciclo sempre se repete?

Porque nunca é dado “algo a mais” para população. Abílio Diniz chamava esse “algo a mais” de capitalismo consciente, no setor privado, mas pode ser aplicado muito bem ao setor público. É preciso sempre oferecer “algo a mais” as pessoas. Em pleno século XXI, ainda estamos comemorando a construção de praças e passagens molhadas, demandas que poderiam ter sido resolvidas no século passado.

Logo vem a pergunta. E porque não resolveram antes? Justamente porque não ofereceram esse “algo a mais”, por essa razão, muitos já estão fora de combate na vida pública. A falta de líderes comprometidos faz com que o povo se afaste.

Mas essa reflexão deve ser conjunta, porque está em jogo o futuro de todos nós. Como a classe política pode oferecer algo a mais a população? Como a CDL pode contribuir mais? Como os intelectuais podem contribuir mais? Como os educadores podem oferecer mais? E por fim, como o próprio povo pode contribuir mais?

Escolher representantes que tenham paixão e entusiamo pelo que fazem, tenham competência para desempenhar suas funções e o desejo ardente de servir ao próximo de alguma forma, são princípios fundamentais para essa reconquista.

Nova Russas precisa pensar grande e formar novas lideranças, sem a necessidade de aniquilar as velhas. O público só voltará as praças e inaugurações, quando encontrar líderes que tenham o espírito do sacrifício, o sentimento de paternidade, o senso de justiça, a iniciativa, a decisão, a dignidade e a coragem de agir verdadeiramente para mudar a vida das pessoas.

 *Reginaldo Silva: professor, radialista e editor do Ceará Noticias.

 

 

 

Comente com Facebook