Por Reginaldo Silva- Professor, Radialista e Jornalista

Nova Russas chega neste 11 de novembro de 2022 aos seus 100 anos de emancipação política vivenciando momentos de avanços e rupturas, com períodos de alternância de poder, que vai do coronelismo a transição democrática.
Depois da emancipação politica do município em 1922, os dois primeiros prefeitos do município, coronel Antonio Rodrigues Veras e Gregório Euclides Martins foram indicações dos governos estaduais, que anunciavam os novos gestores de acordo com suas preferência políticas e partidárias, ou seja, mudava-se o comando do Estado, em seguida, mudava-se o comando dos municípios. Até o primeiro prefeito eleito, pelo voto popular, também foi um coronel, Artur Pereira de Sousa.
De 1922 a 1948, predominou o “Coronelismo” no município, com forte influência de Artur Pereira, que viria mesmo no período ditatorial da Era Vargas ser eleito novamente em 1936, já com o voto feminino prevalecendo no País.
No “Coronelismo”, predominava o mandonismo, a fraude eleitoral e o apadrinhamento político. Que era do meu lado, era bem tratado, quem não era, muitas vezes chegava a ser expulso da própria cidade.
Ainda neste período de (1922-1948) com a chegada de Vargas ao poder, prevaleceu no município de Nova Russas, os chamados governos interventores que eram nomeados pelo comando estadual. O último interventor do município foi Fernando Pereira de Sousa, encerrando esse ciclo político no município.
De 1950 a 1964, entramos numa era de “Abertura Democrática” com avanços no campo político e econômico. Os governos de José Chagas, Oriel Mota e Oséas Pinto, trouxeram ares de democracia, desenvolvimento e prosperidade para o município. Oriel Mota por sua popularidade chegou a ser eleito deputado estadual com ampla votação no município.
Com o Golpe Militar de 1964, cria-se o sistema bi-partidarista no País e Nova Russas entra em um novo ciclo político, a “Era Mourão”. Em 1966 é eleito prefeito do município, José Gonçalves Rosa, pai do ex-prefeito Chico Rosa, que abre esse novo momento político, que viria a ser completamente dominado pela “família Mourão”, primeiro sob o comando de José Santos Mourão e depois por Vicente Mourão Carlos, que foi vereador e vice-prefeito de Manuel Abdias Evangelista, assumindo o poder até a queda para o chamado Grupo EMPA.
O ciclo político do Grupo EMPA, que tem essa denominação por ser formado por engenheiros agrônomos recém formados que montaram um Empresa de Projetos Agropecuários (EMPA) que ajudou a desenvolver o setor primário do município, comandaram a prefeitura de Nova Russas por 20 anos (1988-2008). No período da “Nova Democracia” com a promulgação da Constituição, predominou no município a “Era EMPA” (1988-2008) que comandou a prefeitura, com Chico Rosa, responsável pela queda da “família Mourão”, depois com Luís Acácio de Sousa, único prefeito que chegou a administrar o município por três mandatos e com a chagada da primeira mulher ao poder de Nova Russas, Iranede Veras.
De lá para cá, Nova Russas vive um novo momento, denominado aqui neste artigo de “Transição Democrática”, sem nenhuma consolidação de um grupo com dois mandatos consecutivos. De 2008 a 2022, assumiram a prefeitura Marcos Alberto, que rompeu o domínio de 20 anos do Grupo EMPA, devido sua cassação, assume Paulo Evangelista que também não se reelege, depois assume a prefeitura a tradicional família Diogo, com a eleição de Gonçalo Diogo, a família, até então participava de vários pleitos sem êxito para tomada do poder municipal.
Em seguida, o jovem médico, Rafael Pedrosa assume como prefeito, mas não concorre a reeleição. Rafael rompe com seu vice-prefeito Júnior Mano, este, se candidata a deputado federal e se torna o primeiro deputado federal filho de Nova Russas, elege sua esposa Giordanna Mano para prefeita tornando-se a segunda mulher a governar o município e podem inaugurar uma nova Era na histórica política de Nova Russas, caso se concretize a reeleição da atual gestora.
Assim caminha a politica de Nova Russas nestes 100 anos de emancipação política. Não é nossa pretensão lançar um pensamento hegemônico sobre os fatos, mas, tão somente, levantar o debate para que outras contribuições históricas sejam lançadas para que as futuras gerações compreendam o caminhar político deste importante município dos Sertões de Crateús.
Parabéns Nova Russas pelos 100 anos de emancipação política!





