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Ceará Notícias > Blog > Destaques > Nova proposta de reforma da Previdência busca estabilizar gasto com idade mínima de 67 anos e capitalização
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Nova proposta de reforma da Previdência busca estabilizar gasto com idade mínima de 67 anos e capitalização

Ultima atualização: 28/08/2026 9:14 AM
Redação
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25 Min. de Leitura
Servidores do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) entraram em greve por tempo indeterminado. Eles reivindicam reajuste salarial de 27,5% e melhores condições de trabalho (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
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Uma nova proposta de reforma da Previdência, que será apresentada aos candidatos à Presidência da República, vai além de mudanças pontuais e lança a ideia de alterar completamente a arquitetura dos sistemas de aposentadorias e benefícios do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

A ideia de uma segunda reforma previdenciária pode parecer precoce —a mudança de 2019 ainda está em transição—, mas os especialistas afirmam que é essencial para estabilizar a despesa, que segue crescendo em ritmo acelerado, em especial porque o Brasil está envelhecendo mais rápido que o previsto.

Se adotada na íntegra, ao final deste século, a reformulação estabilizaria a despesa previdenciária na casa de 10% do PIB (Produto Interno Bruto). Hoje, o custo já equivale a 8% do PIB. Se nada for feito, chegará a 17% em 2100.

“Feita de forma mais ampla, como propomos, não será preciso discutir novamente outras reformas tão cedo”, diz o coordenador do texto, o economista Paulo Tafner, uma referência no debate previdenciário desde a década de 1990 e que fez várias contribuições para a reforma anterior. O ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga deu apoio ao projeto.

A reorganização ocorreria em dois eixos. De um lado, seria feita uma nova rodada de alterações chamadas “paramétricas”, como a elevação da idade mínima da aposentadoria. A meta seria sair gradualmente dos atuais 62 anos para mulheres e 65 para homens, até chegar à idade mínima de 67 anos na aposentadoria para ambos os sexos, nas áreas urbana e rural —hoje há diferenças significativas.

Para aliviar a resistência à equiparação da idade mínima, que foi forte na reforma anterior, a proposta oferece um bônus para mulheres: 1,5 ano a mais no tempo de contribuição por filho, limitado a cinco filhos. O texto também insiste na implantação de um mecanismo de ajuste automático da idade mínima a partir das mudanças demográficas, o que foi rejeitado pelos congressistas em 2019.

O eixo mais profundo da reformulação mexe no modelo previdenciário. O sistema atual, baseado 100% em repartição solidária, seria gradualmente substituído por uma estrutura mista.

Metade das contribuições iria para uma capitalização financeira. A poupança pessoal seria administrada por seguradoras privadas cadastradas no INSS e também por um fundo público, para elevar a concorrência.

A outra metade das contribuições seria destinada a um sistema nocional, ou seja, escritural, dentro de um regime público de repartição administrado pelo INSS. O beneficiário acumularia créditos para calcular a aposentadoria, enquanto sua contribuição pagaria benefícios atuais.

Em comparação com o cenário fiscal em que nada seja feito, a economia com a mudança paramétrica seria suave, da ordem de 2% do PIB ao ano. A alteração estrutural, porém, teria forte impacto, de 7% do PIB.

O grupo redigiu, além do documento explicativo, um texto legislativo para iniciar a tramitação de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição).

Integram o grupo o ex-secretário de Previdência e ex-presidente do INSS Leonardo Rolim, o economista e consultor legislativo do Senado Bernardo Schettini, o economista Rogério Nagamine Costanzi, pesquisador do Ipea e que chegou a subsecretário do Regime Geral de Previdência Social, e o economista Sergio Guimarães Ferreira, especialista em gestão e políticas públicas.

TRANSIÇÃO LONGA

Haveria uma escala geracional na implantação da nova reforma. Após a promulgação, as regras valeriam integralmente para jovens até 24 anos; pessoas com 50 anos ou mais teriam só mudanças paramétricas e permaneceriam no sistema atual.

A geração de 25 a 49 anos entraria parcialmente no novo sistema, preservando direitos anteriores. Schettini chama o modelo de “transição suave”.

“As contribuições de todos com mais de 25 anos continuam indo para o financiamento dos benefícios do INSS e pelo sistema de contas nocionais. Além disso, os cálculos mostram que a reforma gera saldos positivos muito mais do que suficientes para financiar a transição”, diz.

“Os trabalhadores com mais de 50 anos também contribuem para a transição, mesmo sem mudança na fórmula, já que ficarão menos tempo aposentados.”

Para compensar a queda de recursos da repartição, a proposta prevê fim de isenções para filantrópicas e agronegócio e maior restrição ao abono salarial do PIS/Pasep.

Também prevê o FSGTC, Fundo Solidário para Garantia da Transição e Capitalização, bancado por imóveis da União, securitização da dívida e rendimentos, além de royalties e participações de petróleo e gás —0,2% do PIB ao ano, em média, até 2050.

Outras fontes viriam do aumento da contribuição do MEI (Microempreendedor Individual), de 5% para 11%, e da alíquota do Simples Nacional. A reforma também prevê BPC (Benefício de Prestação Continuada) abaixo do salário mínimo e implantação de idade mínima para as Forças Armadas.

Empresas contribuiriam menos ao INSS, mas cobririam por seguros privados afastamentos por acidentes ou doenças do trabalho; o instituto pagaria benefícios programáveis, como aposentadorias.

O documento prevê perda de receita de 2,2% do PIB a partir dos anos 2070; a redução de despesa pela capitalização começa em 2071 e supera a perda em 2087.

Principais mudanças na Previdência

ModeloComo é hojeComo ficaria
Idade mínima no INSS65 anos (homens) e 62 anos (mulheres); na área rural, a aposentadoria é aos 60 anos (homens) e 55 (mulheres). Há regra de transição para quem já estava no mercado na reforma de 2019Todos os segurados do INSS passariam a se aposentar aos 67 anos, tanto na área urbana quanto na rural; idade subiria seis meses por ano
Tempo mínimo de contribuiçãoHomens precisam de 20 anos de INSS e mulheres, 15 anos para se aposentarO tempo mínimo de contribuição passa a ser de 20 anos para homens e mulheres tanto na área urbana quanto na rural
Novo sistema de aposentadoriaFunciona no Brasil o sistema de repartição solidária, no qual a geração atual custeia o benefício de quem está aposentadoO país passaria a adotar um sistema misto, de repartição + capitalização, no qual parte dos benefícios será administrado pelo INSS e parte pela iniciativa privada (o INSS também pode concorrer no mercado)
Transição para o novo sistema – pagamento das contribuiçõesTrabalhadores CLT, autônomos, MEIs, empregadores domésticos, avulsos, facultativos e donas de casa de baixa renda pagam contribuição ao INSS. Empresas também fazem pagamentos sobre a folha de saláriosTodo trabalhador com menos de 50 anos terá uma conta nocional (contábil), gerenciada pelo INSS, cujo valor da contribuição será corrigido pelo rendimento da massa salarial e usado para pagar as aposentadorias atuais. Para trabalhadores entre 25 e 49 anos, as contribuições no regime antigo ficam preservadas e as novas vão para a conta nocional, administrada pelo INSS. Trabalhadores até 24 anos entram obrigatoriamente no novo sistema, com conta nocional + capitalização
Cálculo da aposentadoriaO INSS faz uma média salarial e aplica a fórmula de 60% + 2% a cada ano extra de contribuição além do mínimo exigido. Há regra de transição para quem já estava no mercado em 2019Trabalhadores acima dos 50 anos não seriam afetados pelas novas regras de cálculo, só pelas mudanças no INSS. Trabalhadores entre 25 e 49 anos teriam dois cálculos na aposentadoria: 50% pelo modelo atual do INSS e 50% por meio das contas nocionais, atualizadas por índice que segue o crescimento da massa salarial Trabalhadores até 24 anos teriam o cálculo pelas contas nocionais gerenciadas pelo INSS, além da aposentadoria complementar privada

Fonte: Proposta de reforma da Previdência

Idade mínima de 67 anos para homens e mulheres

Como é hoje:

  • A idade mínima atual na aposentadoria do INSS é de 65 anos, para homens, e 62 anos, para mulheres
  • É preciso ter ao menos 20 anos de contribuição (homens) e 15 anos (mulheres)
  • Trabalhadores rurais se aposentam aos 60 anos (homens) e 55 (mulheres)
  • Há regras de transição para quem estava no mercado antes da reforma de 2019

Como ficaria:

  • A idade mínima no INSS subiria para 67 anos para homens e mulheres na área urbana e rural
  • A alta seria gradual, de seis meses por ano
  • Na área urbana, a transição levaria dez anos; na rural, 24 anos
  • O tempo mínimo de contribuição também ficaria igual, de 20 anos para todos
  • A proposta inclui ainda um gatilho automático de elevação da idade na aposentadoria; a cada ano a mais na expectativa de vida do brasileiro, a idade mínima subiria quatro meses

Desafios:

  • Aprovar nova idade mínima menos de dez anos após a reforma de 2019 deve gerar resistência
  • Na reforma anterior, a bancada feminina derrubou proposta de igualar idade mínima e contribuição de homens e mulheres

Como seria a transição na aposentadoria do INSS urbana:

AnoHomemMulher
202765 anos62 anos
202865 anos e 6 meses62 anos e 6 meses
202966 anos63 anos
203066 anos e 6 meses63 anos e 6 meses
203167 anos64 anos
203267 anos64 anos e 6 meses
203367 anos65 anos
203467 anos65 anos e 6 meses
203567 anos66 anos
203667 anos66 anos e 6 meses
203767 anos67 anos

Como seria a transição na aposentadoria do INSS rural:

AnoHomensMulheres
Hoje60 anos55 anos
1º ano60 anos e 6 meses55 anos e 6 meses
2º ano61 anos56 anos
3º ano61 anos e 6 meses56 anos e 6 meses
4º ano62 anos57 anos
5º ano62 anos e 6 meses57 anos e 6 meses
6º ano63 anos58 anos
7º ano63 anos e 6 meses58 anos e 6 meses
8º ano64 anos59 anos
9º ano64 anos e 6 meses59 anos e 6 meses
10º ano65 anos60 anos
11º ano65 anos e 6 meses60 anos e 6 meses
12º ano66 anos61 anos
13º ano66 anos e 6 meses61 anos e 6 meses
14º ano67 anos62 anos
15º ano67 anos62 anos e 6 meses
16º ano67 anos63 anos
17º ano67 anos63 anos e 6 meses
18º ano67 anos64 anos
19º ano67 anos64 anos e 6 meses
20º ano67 anos65 anos
21º ano67 anos65 anos e 6 meses
22º ano67 anos66 anos
23º ano67 anos66 anos e 6 meses
24º ano67 anos67 anos

Novo sistema (repartição + capitalização)

Como é hoje:

  • Sistema de repartição solidária, no qual a geração atual custeia o benefício de quem está aposentado

Como ficaria:

  • Mudaria para um sistema misto: 50% repartição + 50% capitalização
  • Na capitalização, cada trabalhador paga contribuições para a sua própria aposentadoria
  • Haverá um período de transição entre os sistemas
  • Essa transição afetará o trabalhador conforme a idade:
Idade na aprovação da reformaComo ficaria a aposentadoria
50 anos ou mais (nascidos até 31 de dezembro de 1977)Não é afetado pela reforma no sistema; continua no modelo atual, mas está sujeito aos novos ajustes de idade mínima e demais parâmetros nos benefícios ao se aposentar
25 a 49 anos (nascidos de 1º de janeiro de 1978 até 31 de dezembro de 2002)Regra de transição: preserva o que já acumulou e as novas contribuições vão para uma conta nocional (são registradas em uma conta gráfica em nome do segurado e atualizadas de acordo com uma taxa que reflete a evolução da massa salarial dos contribuintes), administrada pelo INSS; o cálculo é misto: 50% pela regra atual da Previdência e 50% pelo sistema de contas nocionais
Até 24 anos (nascidos a partir de 1º jan. 2003)Entra no novo modelo, com contribuição dividida entre conta nocional e capitalização financeira (com conta privada em fundo de pensão escolhido pelo trabalhador, conforme livre concorrência da qual o governo também pode participar)

Desafios:

  • A mudança faria a Previdência ser administrada de forma pública e privada. Além disso, embora a proposta preveja de onde tirar recursos, a transição de modelos trará custos para um sistema já deficitário

Bônus para mulher por filho, limitado a cinco filhos

Como é hoje:

  • Mulheres com filhos não têm bônus, mas qualquer uma delas —seja mãe ou não— tem direito de se aposentar com idade menor (62 anos) e menos tempo de contribuição (15 anos)
  • Há ainda regras de transição para quem já estava no mercado de trabalho antes da reforma de 2019

Como ficaria:

  • Mulheres terão bônus de 1,5 ano a cada filho nascido vivo ou adotado, limitado a cinco filhos
  • O bônus é somado ao total de contribuição. Uma mulher com 30 anos de pagamentos ao INSS e um filho, por exemplo, recebe bônus de 1,5 ano e terá, ao todo, 31,5 anos para a aposentadoria

Desafio:

  • Mesmo com o pagamento do bônus, que visa diminuir a distorção sofrida pela mulher no mercado de trabalho, a desigualdade salarial e as tarefas de cuidados impostas a elas, as mulheres podem não ser compensadas

Aumento da contribuição do MEI

Como é hoje:

  • A contribuição do MEI é de 5%, mais de R$ 1 a R$ 6 conforme a atividade
  • É possível se aposentar por idade, recebendo um salário mínimo; há ainda direito a outros benefícios como auxílio-doença e pensão por morte

Como ficaria:

  • O MEI seria mantido com as regras atuais, mas com alíquota de contribuição de 11%
  • Apenas beneficiários do Bolsa Família pagariam 5%

Desafio:

  • Calcula-se que metade dos 13,7 milhões de MEIs ativos no país em 2026 não paga contribuições e, se a alíquota aumentar, o percentual de inadimplentes poderá ser ainda maior

Aposentadoria especial com idade mínima maior

Como é hoje:

  • A reforma da Previdência de 2019 instituiu idade mínima de 55, 58 e 60 anos na aposentadoria especial conforme o grau de exposição ao agente nocivo à saúde, se alto, moderado ou mínimo
  • É preciso ter tempo mínimo de contribuição de 15, 20 ou 25 anos
  • Na regra de transição, há pontuação mínima de 66, 76 e 86 pontos

Como ficaria:

  • A aposentadoria especial terá idade mínima dois anos maior, de 57, 60 e 62 anos conforme o nível de exposição, se alto, moderado ou mínimo
  • O tempo mínimo de contribuição segue em 15, 20 e 25 anos

Desafio:

O STF (Supremo Tribunal Federal) julgou inconstitucional a idade mínima na aposentadoria especial

Idade mínima na aposentadoria da pessoa com deficiência

Como é hoje:

  • Não há idade mínima; o tempo varia conforme o grau da deficiência
  • Homens precisam contribuir por 25, 29 ou 33 anos, e mulheres, por 20, 24 ou 28, conforme o grau da deficiência, se grave, moderada ou leve, respectivamente
  • É possível se aposentar por idade, aos 65 anos (homens) e 60 anos (mulheres), com 15 anos de INSS
  • O segurado recebe 100% da média salarial

Como ficaria:

  • Idade mínima de 60 anos para deficiência grave, 62 anos para deficiência moderada e 64 anos para deficiência leve
  • Deficiências graves teriam uma opção sem idade mínima, mas o tempo de contribuição terá de ser de 25 anos
  • O cálculo seguiria as demais aposentadorias, sem garantia de 100% da média salarial

Desafio:

  • Instituir idade mínima para um público à margem da sociedade e com gastos com saúde

Aposentadoria de professor e policial aos 64 anos

Como é hoje:

  • Professores federais de educação básica se aposentam cinco anos antes dos demais segurados: aos 60 anos, homens, e 57, mulheres
  • São necessários 25 anos de magistério na educação básica
  • Policiais se aposentam aos 55 anos, com 30 anos de contribuição, sendo 25 no cargo efetivo

Como ficaria:

  • A idade mínima seria de 64 anos nos dois casos, tanto de professor quanto de policial
  • O tempo mínimo de contribuição seria de 25 anos no cargo efetivo

Desafios:

  • São categorias muito organizadas. Policiais barraram regras e atenuaram outras na reforma de 2019

Idade mínima de 55 anos para militares das Forças Armadas e mudança na pensão

Como é hoje:

  • Não há idade mínima para a reserva remunerada de militares das Forças Armadas; há o tempo mínimo de 35 anos de contribuição
  • A pensão corresponde ao valor integral da remuneração do militar falecido ou ao valor dos proventos da reserva no cargo em que ele se encontrava

Como ficaria:

  • Militares passariam a ir para a reserva voluntária a partir dos 55 anos
  • A aposentadoria seria integral, diferentemente da regra dos civis
  • A pensão vitalícia seria restrita a cônjuge ou companheiro acima de 45 anos e em caso de mortes ligadas à atividade
  • Neste caso, o benefício de pensão será integral, e não por cotas

Desafio:

  • Uma reforma dos militares com idade mínima de 65 anos foi enviada em 2024, mas não foi votada

BPC do idoso menor do que o salário mínimo

Como é hoje:

  • Idosos a partir dos 65 anos, de famílias de baixa renda (renda por pessoa de até 1/4 do salário mínimo), têm direito ao BPC
  • O valor pago é de um salário mínimo e não é preciso contribuir com o INSS
  • Não entram na conta da renda para o BPC aposentadoria ou benefício assistencial de outro membro da família

Como ficaria:

  • Idosos de famílias de baixa renda que recebem até um quarto do salário mínimo por pessoa da família seguem com direito ao BPC
  • O valor poderá ser menor do que um salário mínimo se o cidadão não tiver contribuições ao INSS
  • O cálculo será o dos demais benefícios do INSS: 60% + 2% a cada ano de contribuição
  • Um trabalhador que nunca pagou o INSS, por exemplo, terá um benefício de 60% do piso
  • Quem tiver 20 anos de contribuição receberá 100% do piso previdenciário

Desafio:

  • Aprovar regra que pague menos do que um salário mínimo

INSS deixará de pagar benefício por incapacidade ligado ao trabalho

Como é hoje:

  • O INSS paga todos os benefícios por incapacidade, sejam ligados ou não ao trabalho, temporários (auxílio-doença) ou permanentes (aposentadoria por incapacidade)
  • As empresas pagam contribuição por acidente de trabalho, conforme o risco da atividade
  • Para trabalhador pela CLT, a empresa paga os primeiros 15 dias de afastamento
  • Quando o afastamento é por acidente ou doença do trabalho, o profissional tem estabilidade no retorno e mantém depósitos de 8% do FGTS

Como ficaria:

  • Auxílio-doença por acidente de trabalho ou por doença ocupacional, chamado de acidentário, ou aposentadoria por invalidez seriam pagos pelas empresas e empregadores domésticos
  • Cada um teria de contratar seguros para seus funcionários
  • Autônomos também perderiam cobertura e teriam de contratar seguro
  • Empregadores poderiam contratar o próprio INSS, que seguiria oferecendo o serviço, mas teriam de pagar 6% de contribuição

Desafio:

  • Aprovar regra que acabe com a estabilidade e transfira o afastamento do trabalhador ao empregador

Contribuição da empresa ao INSS será menor

Como é hoje:

  • Empresas pagam 20% sobre a folha de salários + o valor por acidente de trabalho, o que dá cerca de 22% ao mês

Como ficaria:

  • As empresas teriam alíquota de 16% até o teto do RGPS (Regime Geral de Previdência Social)

Desafio:

  • Abre-se mão de um percentual de arrecadação para um sistema previdenciário já em déficit. Só neste ano, o déficit da Previdência deve ultrapassar R$ 338,6 bilhões

Regras iguais para todos os servidores públicos

Como é hoje:

  • Estados e municípios têm regras próprias
  • Alguns adotaram as mudanças da reforma de 2019, como o estado de São Paulo e a capital paulista

Como ficaria:

  • Todos os servidores deverão ter as mesmas regras de aposentadoria, o que vale para estados, municípios e o Distrito Federal, Legislativo, Executivo, Judiciário e militares

Desafio:

  • A obrigatoriedade de equiparar as regras estava na reforma de 2019, mas foi retirada na tramitação

Restrição ao abono do PIS/Pasep:

Como é hoje:

  • Têm direito ao abono do PIS/Pasep profissionais com carteira assinada e servidores públicos inscritos no programa há pelo menos cinco anos, que tenham trabalhado formalmente ao menos 30 dias no ano-base recebendo um percentual do salário mínimo
  • Em 2026, o percentual que dá direito equivale a 1,95 salário mínimo até chegar a 1,5 salário mínimo em 2035

Como ficaria:

  • O benefício seria pago a quem está inscrito no CadÚnico e cuja renda por pessoa da família seja de até meio salário mínimo por mês

Desafio:

  • Haveria resistência em fazer nova mudança /Folha SP

    (Foto: Reprodução)

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