Zuenir nasceu no dia 1º de junho de 1931, no município mineiro de Além Paraíba. Aos 11 anos, mudou-se para Nova Friburgo, no estado do Rio de Janeiro, onde, sem abandonar os estudos, ajudava seu pai – que era pintor – e chegou até a trabalhar como office boy.
Sua trajetória se confunde com a história do jornalismo brasileiro. No País, ele foi pioneiro ao implementar recursos literários no texto jornalístico, se enquadrando no chamado de New Journalism, movimento que teve entre expoentes Gay Talese, Tom Wolfe e Truman Capote.
Queria ser professor e, ainda jovem, ganhou uma bolsa de estudos no colégio, em troca de dar aulas para as crianças do então primário. Aos 20 anos, mudou-se para a capital fluminense, onde cursou Letras Neolatinas na Universidade do Brasil (atual Universidade Federal do Rio de Janeiro, a UFRJ).
Com o passar dos anos, se tornou um dos jornalistas mais relevantes do País. Começou a trabalhar como assistente de Carlos Lacerda no jornal Tribuna de Imprensa, onde foi correspondente em Paris. Depois, construiu carreira em veículos importantes, como Jornal do Brasil, O Globo e Veja, tornando-se referência pelo olhar atento às transformações sociais do País. Naturalmente, virou um dos nomes mais bem relacionados da elite cultural carioca.
Como autor, Ventura ganhou projeção nacional ao transformar acontecimentos históricos em narrativa acessível. Seu livro mais emblemático, 1968: O Ano que Não Terminou, tornou-se um clássico ao revisitar o período da ditadura sob a ótica da cultura e da política.
A narrativa tinha citação a importantes personagens, obras e músicas que fizeram parte daquela época. O título serviu também de inspiração para a minissérie Os Anos Rebeldes, produzida pela TV Globo. Segundo dados da ABL, as 48 edições da obra já venderam mais de 400 mil exemplares. O livro serviu também de inspiração para a minissérie Os Anos Rebeldes, produzida pela TV Globo. O capítulo Um herói solitário inspirou o filme O homem que disse não, que o cineasta Olivier Horn realizou para a televisão francesa.
Na mesma linha de jornalismo literário, destacou-se também com Cidade Partida, vencedor do Prêmio Jabuti, em que investiga as raízes da violência no Rio de Janeiro, e com Chico Mendes: Crime e Castigo, resultado de uma série de reportagens premiadas sobre o assassinato do líder seringueiro.
“Chico Mendes acertou quando anunciou que ia ser morto, mas errou ao achar que sua morte poderia ser inútil. Nunca um tiro dado no Brasil ecoou tão longe — até hoje“, escreveu ele.
Em 1989, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo e o Prêmio Vladimir Herzog pela série de reportagens O Acre de Chico Mendes.
Em 2008, Zuenir recebeu da ONU um troféu especial por ter sido um dos cinco jornalistas que “mais contribuíram para a defesa dos direitos humanos no País nos últimos 30 anos”. Em 2010, foi eleito “O jornalista do ano” pela Associação dos Correspondentes Estrangeiros. E em 30 de outubro de 2014, foi eleito para a cadeira nº 32 da ABL, na sucessão do Acadêmico Ariano Suassuna.
Em Inveja: Mal Secreto e Minhas Histórias dos Outros, se debruçou sobre o pecado num livro que é resultado de uma análise social. “A inveja é um vírus que se caracteriza pela ausência de sintomas aparentes. O ódio espuma. A preguiça se derrama. A gula engorda. A avareza acumula. A luxúria se oferece. O orgulho brilha. Só a inveja se esconde”, defendeu.
Para fazer Sobre o Tempo, se isolou em uma fazenda no Rio de Janeiro junto com o amigo Luis Fernando Verissimo a fim de debater diversos temas. Seu último lançamento foi o romance Sagrada Família, publicado pela Alfaguara.
Em 2026, ganhou um documentário sobre sua vida, Mestre Zu, dirigido pelo amigo Zelito Viana, que contou com depoimentos de personalidades como Cacá Diegues, Miriam Leitão, Nelson Motta e Heloísa Teixeira (veja o trailer acima). Na ocasião do lançamento do filme, Viana afirmou que, para Zuenir, o jornalismo “era uma maneira de ser” e não apenas uma profissão./AE
(Foto: Reprodução)






