Ao final do jogo, Messi –que havia perdido um pênalti quando o jogo estava 1 a 0– chorou e foi jogado para o ar pelos companheiros, em um momento de catarse com a torcida no estádio. A Argentina, que passou quase o jogo todo nocauteada e eliminada, vai às quartas ainda mais forte em busca do tetra.
A equipe agora aguarda o vencedor do duelo entre Suíça e Colômbia.
Talvez pelo susto que levou na dramática classificação contra Cabo Verde, a torcida argentina chegou ao estádio de Atlanta para o jogo ao meio-dia no horário local de maneira mais tímida em comparação com os duelos anteriores, tensa com o que sabia que poderia esperar.
Antes do apito inicial, os “hinchas”, mais uma vez maioria entre os 68.239 presentes nas arquibancadas, esboçaram cânticos conhecidos de apoio à equipe, como “¡Vamos, vamos, Selección!”: “Vamos, vamos, Selección! Hoy te vinimos a alentar. Para ser campeón. Hoy hay que ganar.”
Não demorou muito para que o apoio se transformasse em apreensão, quando, aos 14 min, o Egito abriu o placar com Yasser Ibrahim, completando cruzamento de cabeça no canto esquerdo de Emiliano Dibu Martínez.
Cinco minutos depois, parecia que a Argentina chegaria ao empate, após Enzo Fernández lançar Tagliafico na área e o lateral ser derrubado pelo defensor egípcio Hassan.
Messi ajeitou a bola na marca da cal e bateu a meia-altura, no canto esquerdo, para defesa do goleiro egípcio Mostafa Shobeir —o craque já havia desperdiçado cobrança de maneira parecida contra a Áustria, na fase de grupos.
O arqueiro da seleção africana ainda salvaria sua equipe mais uma vez aos 27 min, em cabeçada à queima-roupa de Mac Allister, e aos 38 min, em chute cara a cara de Julián Álvarez.
Na volta para o segundo tempo, embalada pela torcida alviceleste que cantava alto das arquibancadas, a Argentina manteve a marcação alta, rondando a área egípcia em busca do gol, com Messi e De Paul principalmente.
O Egito, por sua vez, retornou com a proposta de segurar o empate, com praticamente todo o time atrás da linha de meio de campo, apostando nos contra-ataques para tentar ampliar.
Em um deles, aos 12 min, o time africano chegou a fazer o segundo, após grande jogada de Hassan desde a linha de defesa que terminou com passe de Salah para o gol de Zico, na saída de Martínez.
O gol, porém, foi anulado após revisão do VAR, por falta de Marwan Attia em Lisandro Martínez na origem do lance.
Não demorou muito para que o Egito balançasse as redes da meta argentina mais uma vez, aos 21 min, após Salah puxar contra-ataque e passar para Hassan, que invadiu a área pela direita e tocou para Zico bater na saída do goleiro.
Precisando desesperadamente reverter a situação, Messi mudou seu posicionamento dentro de campo e passou a atuar principalmente pela ponta direita. Com mais liberdade, o maior artilheiro da história das Copas ativou seu modo animal e logo criou a jogada do primeiro gol da Argentina, aos 33 min, cruzando para Cristian Romero diminuir de cabeça.
Aos 38, a Argentina chegou ao gol de empate, mais uma vez com Messi, que bateu firme após receber passe de Montiel de dentro da área. O goleiro ainda chegou a tocar na bola.
Normalmente mais contido, o astro de Rosário comemorou de maneira efusiva, com socos no ar que lembraram a forma de comemorar gols de Pelé no Santos e na seleção brasileira.
Quando a prorrogação parecia se encaminhar, a Argentina fez o terceiro, aos 46. O Egito foi ao ataque e a bola sobrou para o ídolo do país Salah. Ele invadiu a área pela direita e caiu, pedindo um pênalti. Os argentinos partiram em contra-ataque rápido, Lautaro cruzou para Enzo Fernández, livre, determinar uma das viradas mais memoráveis do mata-mata da Copa.
Os egípcios reclamaram veementemente com a arbitragem pedindo falta em Salah. O técnico Hossam Hassan chegou a fazer um X com os braços, sinal usado para denunciar atos de racismo. Os próprios integrantes da comissão técnica do Egito o contiveram, e o árbitro, após conversar com o treinador e distribuir alguns cartões, reiniciou a partida.
Ao apito final, Messi chorou copiosamente em campo, abraçado aos companheiros.
Eufórica, a torcida argentina cantava: “Soy Argentino. Es un sentimiento. No puedo parar” e “El Que No Salta”.
“Depois do segundo gol [do Egito], a equipe demonstrou um caráter incrível, com humildade, sacrifício, e, ao final, chegamos à classificação por mérito, graças ao que fizemos no final da partida”, declarou Laurato Martínez em entrevista a jornalistas no túnel do estádio após o jogo.
Ele acrescentou ser “inexplicável” as atuações que Messi segua apresentando dentro de campo. “É nossa referência, nosso líder. Vê-lo correndo assim, emocionado no fim da partida…que ele desfrute, porque merece, por tudo que fez pelo time, e por ele, por ser seu último Mundial”, acrescentou o atacante da Inter de Milão.
“Não há muitas palavras para descrever a Copa do Mundo que [Messi] está fazendo. É impressionante”, disse Julián Álvarez. “Tratamos de acompanhá-lo e desfrutar cada momento ao seu lado. É uma lenda. O melhor jogador do mundo.”/Folha SP
(Foto: Reprodução)






