O futebol traça roteiros brilhantes. Uma noite de consagração começou com gosto de desilusão para Messi após ter um gol anulado. Mais tarde, porém, o argentino desencantou, balançou a rede três vezes – marca inédita em sua carreira em Copas – e garantiu o triunfo dos atuais campeões.
A falta de desafios relevantes nos últimos amistosos deixou dúvidas sobre qual Argentina seria vista em campo na Copa. Messi estava em condições de servir a sua seleção? As perguntas viraram pó. Só restam certezas, ainda mais com os companheiros fazendo do craque um líder e procurando o artilheiro a todo instante.
“Quero desfrutar com meus companheiros, foi um momento muito lindo. Temos um vestiário muito unido e forte. Me sinto bem depois de ganhar um jogo difícil. Nunca é fácil jogar um primeiro jogo de Copa. Conseguimos sair na frente e depois aumentar o placar. Quero agradecer nossa torcida. A argentina é uma loucura. Agradeço por todo o esforço, vão a qualquer lugar, cantam até o último minuto. Sempre somos mandantes e é uma vantagem grande”, afirmou Messi.
Messi é um poço de criatividade, liderança e altivez. Ele foge dos holofotes, mas os holofotes do futebol o encontram. Por mais que ele relute em ser Messi, o destino está selado. Se faltava algo para o argentino, não falta mais. O argentino é o símbolo do esporte moderno, combinando genialidade com organização. De quebra, ele ainda se tornou o jogador mais velho a marcar mais de um gol numa partida de Copa, superando Roger Milla.
“Quando você tem esse tipo de jogador tem um ás na manga. Messi é o melhor jogador que vi. Temos de aproveitar até que ele diga que não vai jogar mais”, disse o técnico Lionel Scaloni.
Podendo fazer mais sete jogos ainda nesta Copa, Messi tem tudo para fazer evaporar as marcas de Klose. Seu maior rival não é Cristiano Ronaldo, é Kylian Mbappé, o francês que começou esta Copa marcando dois gols. Eles se enfrentaram nos dois últimos Mundiais. Uma vitória para cada lado. As apresentações nesta primeira rodada indicam que França e Argentina ganham metros na corrida das favoritas.
Pelo lado argelino, a grande decepção foi o goleiro Luca Zidane. O filho do craque Zinedine Zidane foi muito mal e falhou em dois dos três gols anotados por Lionel Messi.
Como fica a situação do Grupo J
O resultado deixa a Argentina com três pontos, e a Argélia com zero. Um empate nos próximos dois jogos deve ser suficiente para os argentinos avançarem. Ainda jogam na rodada Jordânia e Áustria.
Próxima rodada do Grupo J
A Argentina volta a campo na próxima segunda-feira, 22, para enfrentar a Áustria, às 14h (de Brasília), em Arlington, no Texas. A Argélia joga à zero hora do dia 23 contra a Jordânia, em Santa Clara.
Como foi Argentina x Argélia?
Com apenas 8 minutos de jogo, duas comemorações de gol foram frustradas. Messi marcou primeiro, mas o impedimento semiautomático mostrou o argentino em posição irregular. Logo depois, foi a vez de o argelino Chaïbi anotar e ter o gol anulado.
As circunstâncias do jogo favoreceram uma noite inspirada de Messi. O astro viu uma brecha entre as linhas de meio-campo e defesa da Argélia, carregou a bola, encheu o pé e contou com ajuda do filho de Zidane para colocar a Argentina em vantagem, aos 18.
Aos 31, os jogadores da Argélia pressionam a arbitragem pela aplicação de um cartão vermelho a Messi. O argentino acertou o jogador da seleção da África com as travas da chuteira. O VAR ignorou o lance.
Em desvantagem, a Argélia tentou valorizar a sua posse de bola e intensificou a presença ofensiva. No entanto, a diferença técnica também impedia que o time argelino conseguisse levar mais perigo a Dibu Martínez. Nos últimos minutos, a Argélia mostrou que com alguns ajustes poderia buscar o empate no segundo tempo.
Na volta do intervalo, a Argélia insistiu em se fixar no campo de ataque, mas passou a permitir contragolpes para os argentinos. Os tricampeões mundiais tramaram jogadas de velocidade e contavam com o brilhantismo de Messi para passes precisos e finalizações.
E o segundo gol foi marcado de novo por Messi. Novamente com contribuição do goleiro Zidane. Mac Allister chutou, o goleiro argelino deu rebote e Messi marcou no rebote, aos 15 minutos. Em seguida, o craque da Argentina quase fez outro, mas dessa vez Zidane fez grande defesa.
Messi se mostrou incansável. Os seus companheiros claramente estavam jogando para que o craque batesse recordes. O camisa 10 era procurado a todo instante. Aos 31, recebeu um passe perfeito para chutar e marcar mais um, igualando o maior artilheiro da história das Copas, Miroslav Klose.
Messi só não fez o quarto porque foi substituído e deu lugar em campo a Nico Paz. O artilheiro deixou o campo reverenciado.
ARGENTINA 3 x 0 ARGÉLIA
- ARGENTINA: Dibu Martínez; Montiel (Montiel), Lisandro Martínez, Cristian Romero (Otamendi) e Medina; De Paul, Enzo Fernández e Mac Allister; Messi (Nico Paz), Lautaro Martínez (Julián Álvarez) e Almada (Nico González). Técnico: Lionel Scaloni.
- ARGÉLIA: Luca Zidane; Belghali, Bensebaini, Mandi e Ait-Nouri; Boudaoui (Aouar), Bentaleb (Zerrouki), Chaïbi e Maza (Boulbina); Hadj Moussa (Mahrez) e Gouiri (Amoura). Técnico: Vladimir Petković.
- GOLS: Messi, aos 17 minutos do 1º tempo, aos 15 e aos 31 do 2º tempo.
- ÁRBITRO: Szymon Marciniak (POL).
- PÚBLICO: 69.045.
- LOCAL: Arrowhead Stadium, em Kansas City./AE
(Foto: Reprodução)





