Entre as determinações do STF estão o uso obrigatório de tornozeleira eletrônica, proibição de uso das redes sociais e impedimento de viagens. As ações foram classificadas por aliados como uma “espécie de prisão antecipada” e geraram surpresa e indignação entre lideranças do PL, que devem se reunir no início da próxima semana para definir uma estratégia conjunta de atuação.
Bolsonaro reagiu às medidas chamando-as de “suprema perseguição”, em linha com a narrativa de vitimização que o grupo já vinha utilizando desde o agravamento da crise envolvendo a sobretaxa imposta pelo governo de Donald Trump a produtos brasileiros. O episódio desgastou a imagem do ex-presidente, provocando divergências internas sobre o posicionamento adotado e sobre os rumos do grupo nas eleições de 2026.
Agora, porém, aliados enxergam na imposição da tornozeleira eletrônica uma possível oportunidade de reunir novamente a base bolsonarista em torno de um discurso unificado, fortalecendo a imagem do ex-presidente como perseguido político. Essa unidade, segundo estrategistas, pode ser fundamental para alavancar o nome que Bolsonaro venha a apoiar como seu substituto na disputa presidencial.
Embora venha sendo pressionado a desistir de um novo projeto eleitoral, Bolsonaro segue no centro das atenções e, acaba ganhando mais peso na construção do nome que representará sua ala política no próximo pleito. A definição de um sucessor, que era uma questão em segundo plano, passa a ser tratada como prioridade estratégica para o grupo nos bastidores de Brasília.
EM TEMPO
Todos os episódios envolvendo a sobretaxa de Trump trouxeram enorme desgaste para o grupo político, desde divergência sobre estratégia até exposição e questionamento do posicionamento de Bolsonaro.
Mas agora seus aliados defendem que a tornozeleira eletrônica no ex-presidente, neste momento, poderá reforçar o papel de vítima e reunificar sua base. O que, na prática, ajudaria na construção de um sucessor.





