Lula: vem ai uma nova nova carta eleitoral, o alvo agora é a classe média

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LRM_EXPORT_20171201_202648.jpg 01-12-2017 SAO BERNARDO DO CAMPO - SP / POLITICA OE / ANUNCIO LUIZ MARINHO PRE-CANDIDATO GOVERNO DE SAO PAULO - Ex-presidente Luis Inacio Lula da Silva durante anuncio de Luiz Marinho, ex-prefeito de Sao Bernardo do Campo, como pre-candidato ao governo do Estado de Sao Paulo pelo PT para as eleicoes 2018. Evento ocorre no Sindicato dos Metalurgicos de Sao Bernardo do Campo, municipio da Grande Sao Paulo - FOTO DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pré-candidato ao Planalto, prepara uma nova versão da Carta ao Povo Brasileiro. Segundo interlocutores de Lula, o alvo agora, ao contrário de 2002, não é o mercado financeiro, mas a classe média que culpa os governos do PT pela crise econômica. Lula quer fugir do rótulo de populista reafirmando um compromisso com a responsabilidade fiscal.

“Esta carta não será como a outra, que foi mais dirigida ao mercado. Desta vez a ideia é dialogar com o povo brasileiro”, disse o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto.

Em conversas com colaboradores, o ex-presidente tem se referido à ideia como “uma Carta ao Povo Brasileiro só que para o povo brasileiro mesmo”.

Durante a vitoriosa campanha presidencial de 2002 Lula lançou a Carta ao Povo Brasileiro na qual, em síntese, se comprometia a manter os fundamentos da estabilidade econômica depois de décadas de confronto com o grande capital. O alvo era o mercado financeiro.

Em encontro com o PT de São Paulo, nesta sexta-feira, 2, o ex-presidente disse que é alvo de “terrorismo de mercado” e que seus adversários “estão criando uma guerra de classes”.

Na semana passada a XP Investimentos divulgou relatório que aponta risco de queda da Bolsa e alta do dólar em caso de vitória de Lula. O PT avalia que parte da classe média é sensível a essa narrativa. O petista, no entanto, minimiza o poder da banca. Nesta sexta-feira, na reunião com o PT paulista, ele disse que “o mercado não vota”. Por isso o alvo agora é próprio eleitorado.

A nova carta ainda não tem data para ser lançada e nem mesmo começou a ser rascunhada. Segundo pessoas que conversaram com Lula sobre o assunto, o petista quer mostrar que, embora o contexto político e econômico seja muito diferente de 2002, a responsabilidade com a condução econômica é um princípio pessoal.

Para isso, Lula vai listar fatos de seus dois governos, como os seguidos superávits fiscais além da meta, trajetória de queda da dívida pública, obtenção do chamado “grau de investimento”, recordes de valorização de ações na Bolsa e aumento das reservas cambiais.

“Ninguém pode dizer que sou irresponsável. O mercado sabe disso”, tem dito Lula com certa frequência.

(Estadão)

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