Lula estimula petistas a polarizar disputa municipal e diz que 2024 vai ser ele contra Bolsonaro

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva estimulou a militância do PT a nacionalizar a disputa nas eleições municipais de 2024 e afirmou que a polarização entre ele e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deve permanecer na disputa do próximo ano. Lula, em conferência nacional do PT nesta sexta-feira, (8/12), pediu para que os petistas encarem a oposição e fez críticas à capacidade política do próprio partido.

“Acho que essa eleição vai acontecer um fenômeno, vai ser outra vez Lula e Bolsonaro disputando as eleições nos municípios”, disse. “Não sabemos que não podem aceitar provocações, não pode ficar com medo, não pode enfiar o rabo no meio das pessoas, quando um cachorro quando late para a gente, a gente late também”.

Para Lula, é preciso que a base da sigla encontre respostas para conversar com públicos que cada vez menos aderem à esquerda. “Será que estamos falando aquilo que o povo quer ouvir de nós?”, questionou, em uma autocrítica. Ele falou, especialmente, de quatro grupos: os evangélicos, o pequeno e médio empresário, a classe média e o agronegócio.

“Temos que nos perguntar por que que um partido muitas vezes no discurso diz que tem toda a verdade só conseguiu eleger 70 deputados. Por que tão pouco, se a gente é tão bom? Será que estamos tentando convencer o povo das nossas verdades ou temos que aprender com o povo para falar com eles? Como a gente vai fazer para falar com os evangélicos. Não é individualmente o problema de uma pessoa. É uma narrativa que precisamos aprender para falar com essa gente, trabalhadora, de bem, que agradece a igreja para tirar o marido da cachaça, para cuidar da família, da violência. Precisamos aprender a construir o discurso para falar com essa gente. Como a gente via convencer o pequeno e médio empresário a falar com nós?”

Lula prosseguiu falando que o PT manteve a aderência, em especial, com o público que ganha menos de dois salários mínimos. “Quem ganha acima de cinco salários mínimos tem dificuldade de votar na gente. É porque possivelmente essa pessoa elevou o milímetro de aprendizado nela e não aprendemos a conversar com ela”, afirmou.

Para incrementar o diálogo, sugeriu, o presidente, é preciso retomar o trabalho de base. “O dinheiro ainda pesa. Mas o trabalho de base não tem dinheiro que compre. E precisamos voltar a fazer trabalho de base”, afirmou. “Bota uma bota e vai visitar cada casa, conversar com as pessoas. Vá na igreja, converse com o pastor, com as mulheres e homens que estão lá. Vá na Igreja Católica. Nós poderemos ter uma extraordinária vitória, e depende da capacidade nossa de fazer campanha, fazer aliança e escolher os melhores para representar.”

A conferência nacional do partido teve a participação de todos os principais nomes do PT, os governadores eleitos e até nomes que não fazem parte da sigla, como o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e as ministras Nísia Trindade (Saúde) e Luciana Santos (Ciência e Tecnologia).

Em um novo aceno ao agronegócio, Lula falou dos ganhos que o setor teve neste ano. “O agronegócio que votou majoritariamente contra nós nunca recebeu a quantidade de dinheiro como nesse Plano Safra. E vamos fazer mais”, disse. O setor acumula queixas com o presidente, especialmente no Congresso Nacional. A pressão do grupo levou a aprovação do projeto de lei do marco temporal e a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Paralelamente, a fala prejudica a relação do presidente com a base ligada aos movimentos sociais. deputados da base agrária do PT acumulam reclamações com os ministros petistas da Esplanada, especialemente Alexandre Padilha (Relações Institucionais), Rui Costa (Casa Civil) e Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário). O grupo acredita que o governo não dá atenção às pautas do MST e da reforma agrária.

Em um discurso de cerca de uma hora de duração, Lula afirmou que será cabo eleitoral em algumas cidades durante a eleição de 2024 e que o partido pode estudar fazer alianças com outras siglas da esquerda. “Se o partido não tem um candidato, a gente tem que apoiar um cara mais próximo de nós, A gente tem que fazer acordo com portidos de esquerda, pessoas democráticas, que vão cumprir o que a gente vai acordar”, concluiu.

Para conter a disputa interna pela presidência do partido, Lula fez elogios públicos a Gleisi Hoffmann, atual mandatária da sigla. “Tenho muito orgulho dessa moça aqui”, afirmou. “Hoje eu posso dizer nessa conferência nacional do PT, graças a Deus, você é a presidenta nacional do PT que fez a gente enfrentar os anos difíceis de 2018. ”

Gleisi foi a outra pessoa a discursar no evento, que reuniu cerca de 5 mil petistas. Ela defendeu a prisão de Bolsonaro, fez críticas ao presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e ao mercado. Ainda houve espaço para um ataque indireto ao Centrão, repetindo um trecho da versão preliminar da resolução do partido, aprovado nesta semana. “

O petista pediu mais participação feminina nas eleições, mas as culpou pela baixa adesão. “Vocês tem que entrar na política. Não basta reclamar que mulher não tem vez”, disse. Mais de 2/3 da Esplanada dos Ministérios no governo Lula hoje é ocupado por homens.”/AE

(Foto reprodução)

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