A pelo menos dois interlocutores com quem conversou, após ser avisado por Barroso sobre sua saída antecipada do STF, Lula disse que Messias estava “maduro” para o cargo, não se tratando apenas de uma “aposta”. O presidente afirmou, ainda, estar ciente da pressão que receberia para nomear outros candidatos, mas não pareceu disposto a ceder.
Messias viajou nesta quinta-feira, 9, com Lula para Salvador e teve uma conversa reservada com ele. O assunto não foi divulgado.
Evangélico, o advogado-geral da União é homem da estreita confiança do presidente, do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
No ano passado, Messias quase chegou à Corte, mas Lula optou por Flávio Dino para o lugar antes ocupado por Rosa Weber, sob o argumento de que o então ministro da Justiça tinha um perfil jurídico e também político.
A escolha de Lula para o STF é crucial neste momento de crise na relação entre o Palácio do Planalto e o Congresso, quando o governo tem sofrido sucessivas derrotas. Na prática, em um cenário de turbulência como o atual, é o STF que tem atuado para dar governabilidade ao presidente.
“O Supremo passou a ter uma importância enorme e nós não podemos errar”, disse Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do grupo Prerrogativas, que reúne advogados ligados ao PT. “Messias é uma pessoa talhada para o cargo. Ele tem a confiança do presidente e do seu entorno, dos partidos da base aliada, dos juristas progressistas e do meio evangélico.”
Com perfil negociador, o advogado-geral da União possui bom trânsito não apenas no Planalto, mas também no Congresso e, como não poderia deixar de ser, no STF.
“Sou terrivelmente pacificador”, costuma dizer ele, fazendo trocadilho com uma frase do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em 2019, o então chefe do Executivo avisou que designaria um nome “terrivelmente evangélico” para o STF. Logo depois, indicou André Mendonça.
Uma ala do PT quer que Lula escolha uma mulher para o Supremo. Desde a aposentadoria de Rosa Weber, em 2023, há apenas uma presença feminina na Corte entre os 11 magistrados: Cármen Lúcia. Até agora, no entanto, o presidente não dá sinais de que mudará de ideia.
O outro candidato à vaga de Barroso é o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que conta com o poderoso apoio de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), o atual comandante da Casa de Salão Azul.
Lula, porém, insiste para que Pacheco concorra ao governo de Minas Gerais. Não sem motivo: precisa de um palanque forte no segundo maior colégio eleitoral do País para sua campanha à reeleição, em 2026, e avalia que o senador – bem posicionado nas pesquisas – tem condições de vencer.
De qualquer forma, a indicação do presidente para o STF ainda precisará passar pelo crivo do Senado. Desta vez, até para evitar pressões, ele promete não demorar a apresentar o nome de seu preferido./AE
(Foto: Reprodução)





