No Nordeste, região estratégica onde Lula historicamente registra ampla vantagem eleitoral, dois estados concentram atenção máxima do presidente: Ceará e Bahia. Para Lula, não está em cogitação a perda dos governos desses estados, o que significaria também erosão de bases eleitorais fundamentais para uma disputa nacional competitiva.
Missão dada a Camilo Santana e Rui Costa
Nas últimas semanas, Lula acionou diretamente dois de seus ministros mais próximos e experientes politicamente: Rui Costa, chefe da Casa Civil, e Camilo Santana, ministro da Educação. A missão é clara: “ajustar a casa”, pacificar bases, fortalecer candidaturas e garantir vitórias nos dois estados.
No Ceará, Camilo Santana; ex-governador com alta aprovação e mandato de senador até 2031, já sinalizou a possibilidade de deixar o ministério antes do prazo legal para se dedicar integralmente à campanha do governador Elmano de Freitas. Apesar do capital político, Camilo não demonstra interesse em disputar novamente o governo estadual. Seu foco, segundo interlocutores, é alavancar Elmano nas pesquisas e consolidar a base governista.
O principal fator de alerta no Ceará é o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), que aparece competitivo nas primeiras pesquisas. Ainda assim, o cenário segue aberto: mais de 60% do eleitorado cearense afirma não saber em quem votar, aponta o último levantamento da pParaná Pesquisa, indicando que a disputa está longe de consolidada e reforçando a importância da articulação antecipada liderada por Lula.
Bahia vive disputa interna sob monitoramento do Planalto
Na Bahia, o quadro é mais delicado. Pesquisas apontam que o governador Jerônimo Rodrigues (PT) enfrenta risco real de derrota diante do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil). Nos bastidores, o ministro Rui Costa tem sido citado como possível alternativa, alimentando especulações sobre uma troca de candidato.
No entanto, o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder histórico do partido no estado e aliado de Lula há décadas, atua para blindar Jerônimo. Wagner já conversou diretamente com o presidente e deixou claro que defende a reeleição do atual governador, posição que conta com o apoio da maioria do PT baiano.
“Essa ideia [lançar Rui Costa para governador], para mim, não existe. Nem é cogitada. Virar o mundo de cabeça para baixo para quê? Sou pela naturalidade da política. A naturalidade da política é a reeleição do governador Jerônimo Rodrigues”, afirmou Wagner à Folha.
Lula, embora preocupado com os números das pesquisas, confia na leitura política de Wagner e deixou claro que qualquer decisão sobre a Bahia será construída em diálogo com o senador, evitando atropelos internos.
Chapa forte como aposta
No núcleo petista, a avaliação é que Jerônimo pode ganhar tração a partir da composição da chapa majoritária, que deve trazer nomes fortes ao Senado. A expectativa é que Jaques Wagner e Rui Costa sejam os candidatos a senador, ambos com alta popularidade no estado. A soma dessas lideranças à imagem de Lula; tradicionalmente vitoriosa na Bahia, é vista como fator decisivo para virar o jogo eleitoral.
Nordeste sob lupa
Com experiência acumulada e leitura fina do mapa eleitoral, Lula acompanha “com lupa” a situação dos principais estados do Nordeste. A atuação direta do presidente evidencia que, para 2026, nada será deixado ao acaso. Ceará e Bahia são tratados como peças-chave de uma engrenagem maior, na qual manter governos estaduais aliados é condição essencial para sustentar um projeto nacional competitivo.





