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Ceará Notícias > Blog > Destaques > Leite, legumes e feijão mais caros: preço de alimentos sobe e pressiona a renda do consumidor
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Leite, legumes e feijão mais caros: preço de alimentos sobe e pressiona a renda do consumidor

Ultima atualização: 23/06/2026 9:23 AM
Redação
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6 Min. de Leitura
Apesar de afirmarem haver estoque, alguns produtos como cítricos, já começam a faltar nas gôndolas dos supermercados. (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
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O aumento de 15,1% no preço médio dos legumes no mês passado foi o principal responsável pela pressão sobre a inflação dos alimentos no Brasil, segundo levantamento da empresa de inteligência de dados Neogrid.

A alta, registrada em todas as regiões do País, reforçou o encarecimento de itens essenciais da cesta básica, reduziu o poder de compra das famílias e contribuiu para que o grupo alimentos consumidos em casa tivesse o sexto mês consecutivo de aumento, respondendo por metade da inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no período.

Segundo o estudo Brasil & Regiões do varejo alimentar, a tendência é de continuidade da pressão sobre categorias sensíveis à oferta e ao clima, principalmente legumes, lácteos e itens básicos da alimentação.

O preço médio do quilo de legumes registrou avanço em todas as regiões do País, chegando a uma alta de 18% no Sul.

Feijão (+5,0%), leite em pó (+9,0%), água mineral (+3,5%) e molho de tomate (+3,3%) também subiram, mostrando um cenário de pressão concentrada nos itens essenciais da cesta, diz a Neogrid.

Esse movimento foi refletido no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de maio. O grupo Alimentação e bebidas teve uma elevação de 1,33% no mês, enquanto os alimentos consumidos em casa tiveram alta de 1,65%, o sexto aumento consecutivo e o maior resultado para meses de maio desde 2008.

Segundo o gerente da pesquisa do IPCA, Fernando Gonçalves, a combinação entre custos de transporte elevados e menor oferta de alguns produtos ajudou a pressionar os preços.

Entre os alimentos que mais subiram estão a batata-inglesa (44,69%), tomate (20,62%), cebola (16,80%) e carnes (1,39%). A menor disponibilidade desses produtos no mercado contribuiu para a aceleração dos preços ao consumidor.

As preocupações com a inflação dos alimentos se estendem para os próximos meses. Analistas apontam que fatores como os preços internacionais do petróleo, o custo dos fertilizantes e eventuais impactos climáticos, como o super El Niño, sobre a produção agrícola podem continuar pressionando a cadeia de alimentos.

Na consultoria 4intelligence, a mudança mais significativa nas projeções de inflação ocorreu exatamente nos preços da alimentação no domicílio, que mais que dobraram no período. Em fevereiro, antes da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, a expectativa era de que os preços dos alimentos no domicílio subiriam 3,7% este ano. Agora a projeção é de 7,7%. É um salto em relação a 2025, quando esse grupo teve alta de 1,4%.

Para contrabalancear, alguns produtos estão mais baratos

Apesar da pressão sobre itens básicos, alguns produtos registraram queda de preços e ajudaram a amenizar o avanço da inflação dos alimentos.

Os preços de ovos (-6,5%), massas alimentícias secas (-3,0%), café em pó e em grãos (-2,5%), carne suína (-1,4%) e açúcar (-1,1%) ficaram mais baratos em maio ante abril, sinalizando acomodação em segmentos industriais e em algumas proteínas. O litro de óleo registrou queda em todas as regiões, com preço 0,9% menor no consolidado nacional em relação a abril.

Para o gerente executivo de dados da Neogrid, Marcelo Alves, “categorias industrializadas e algumas proteínas, como café, massas e suíno, devem seguir em trajetória mais estável ou deflacionária, sustentadas por maior competitividade no varejo e acomodação de custos”.

Regionalmente, o cenário permanece heterogêneo. O Centro-Oeste registrou alta expressiva da carne suína (+25,6%), enquanto o Sul apresentou forte queda da farinha de mandioca (-18,3%). No Norte, o sal recuou 13,9%; no Nordeste, ovos e farinha de mandioca caíram 8,1% cada.

“O equilíbrio entre a pressão sobre itens essenciais e a estabilidade nas demais categorias será determinante para a percepção de inflação do consumidor e para o ritmo de consumo das famílias ao longo do segundo semestre”, afirma Alves.

Para ele, o comportamento de legumes em alta em todas as regiões em maio e feijão acumulando avanço de 26,5% desde dezembro de 2025 reforça a atenção que o segmento básico demanda no curto prazo. Na prática, esses aumentos acabam reduzindo ainda mais o poder de compra do brasileiro.

O estudo Brasil & Regiões do varejo alimentar foi realizado pela Neogrid com a leitura de mais de 40 milhões de notas fiscais por mês no Brasil. O Ecossistema Neogrid apresenta uma visão em 60 graus do mercado de bens de consumo massivo, com uma robusta base de dados proveniente de compras reais no varejo, abrangendo informações como preços, produtos, marcas, categorias, volume de vendas e presença nos pontos de venda. O preço médio de cada item foi medido em quilos, litros ou unidades, dependendo da categoria.

Previsões do mercado são de alta

Enquanto isso, as expectativas para a inflação seguem pressionadas. No relatório Focus divulgado pelo Banco Central, a projeção para o IPCA de 2026 subiu pela 15ª semana consecutiva, passando de 5,30% para 5,33%, afastando-se ainda mais do teto da meta de inflação, de 4,50%. O movimento reflete a escalada das incertezas com a guerra no Oriente Médio, que provocou uma disparada nos preços do petróleo./AE

(Foto: Reprodução) 

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