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Juros no rotativo do cartão de crédito e no cheque especial voltam a subir em fevereiro

Duas das modalidades de crédito com as taxas mais elevadas da economia brasileira ficaram ainda mais caras na passagem de janeiro para fevereiro, informou nesta quarta-feira (27/03),o Banco Central. O juro médio total cobrado no rotativo do cartão de crédito subiu 8,6 pontos porcentuais e passou de 286,9% para 295,5% ao ano. O cheque especial também ficou mais caro, passando de 315,6% ao ano para 317,9%.

Os juros do cheque especial, pelos dados do BC, vêm aumentando desde outubro. Já são quatro meses consecutivos de elevação, apesar da autorregulação implementada pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) no ano passado. Desde julho de 2018, os bancos estão oferecendo um parcelamento para dívidas no cheque especial. A opção vale para débitos superiores a R$ 200.

A expectativa da Febraban era a de que essa migração do cheque especial para linhas mais baratas acelerasse a tendência de queda do juro cobrado ao consumidor. Em junho de 2018, no entanto, antes do início da nova dinâmica, a taxa do cheque especial estava em 304,9% ao ano. Em fevereiro do ano passado, estava em 324,1% ao ano.

Dentro da rubrica do rotativo do cartão de crédito, a taxa da modalidade rotativo regular passou de 263,1% para 274,8% ao ano, de janeiro para fevereiro. Neste caso, são consideradas as operações com cartão rotativo em que houve o pagamento mínimo da fatura. Já a taxa de juros da modalidade rotativo não regular passou de 302,9% para 310,9% ao ano. O rotativo não regular inclui as operações nas quais o pagamento mínimo da fatura não foi realizado.

No caso do parcelado, ainda dentro de cartão de crédito, o juro passou de 163,1% para 170,5% ao ano.

Considerando o juro total do cartão de crédito, que leva em conta operações do rotativo e do parcelado, a taxa passou de 60,6% para 64,7% de janeiro para fevereiro.

Em abril de 2017, começou a valer a regra que obriga os bancos a transferir, após um mês, a dívida do rotativo do cartão de crédito para o parcelado, a juros mais baixos. A intenção do governo com a nova regra era permitir que a taxa de juros para o rotativo do cartão de crédito recuasse, já que o risco de inadimplência, em tese, cai com a migração para o parcelado.

Endividamento das famílias cresce

O endividamento das famílias brasileiras com o sistema financeiro ficou em 42,9% em janeiro, ante 42,7% em dezembro. Se forem descontadas as dívidas imobiliárias, o endividamento foi de 24,3% em janeiro, ante 24,1% em dezembro.

O cálculo do BC leva em conta o total das dívidas dividido pela renda no período de 12 meses. Além disso, incorpora os dados da Pesquisa Nacional de Amostragem Domiciliar (Pnad) contínua e da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), ambas do IBGE.

Segundo o BC, o comprometimento de renda das famílias com o Sistema Financeiro Nacional (SFN) atingiu 19,8% em janeiro, igual ao visto em dezembro. Descontados os empréstimos imobiliários, o comprometimento da renda foi de 17,4% em janeiro, também igual a dezembro.

As projeções do BC, atualizadas no Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de dezembro, indicam expansão de 6,0% para o crédito total em 2019. A projeção para o crédito às famílias este ano é de alta de 7,0%, enquanto o crédito das pessoas jurídicas deve subir 5,0%. O BC projeta ainda alta de 10,5% no saldo de crédito livre no ano e expansão de 1,0% no direcionado. Estes porcentuais, no entanto, serão atualizados amanhã, quando o BC publicará o RTI mais recente./AE

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