/Jair Bolsonaro e Sérgio Moro dividem aliados

Jair Bolsonaro e Sérgio Moro dividem aliados

As desavenças entre o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Justiça, Sérgio Moro, dividiram os aliados do governo no Congresso em dois grupos.

De um lado, os “moristas” querem que o ministro enfrente a interferência de Bolsonaro e, se não conseguir carta branca, entregue o posto. Do outro, “bolsonaristas” minimizam a tensão, defendem em público a manutenção de Moro e pegam carona na popularidade dele, mas não o consideram insubstituível.

Nos últimos dias, aumentaram no Congresso os rumores de que Moro estaria disposto a abrir mão do cargo, caso Bolsonaro continue a medir forças com ele, como tem feito ao exigir mudanças na Polícia Federal. Mesmo deputados e senadores que não veem esse movimento admitem um processo de “fritura” do titular da Justiça, comandado pelo presidente.

A divisão entre “moristas” e “bolsonaristas” virou disputa por comissões do Congresso. No último dia 28, por exemplo, uma articulação de última hora pôs o senador Zequinha Marinho no comando da Comissão Mista Permanente de Mudanças Climáticas, que agora vai focar nos debates relacionados às queimadas na Amazônia.

Zequinha é ligado a Bolsonaro. Durante a instalação da comissão, ele defendeu a regularização fundiária na região atingida pelos incêndios. “Não se pense que lá (Amazônia) é apenas um santuário, não. A Amazônia tem mais de 20 milhões de habitantes”, afirmou o senador.

Havia um acordo entre líderes de partidos para que o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), próximo a Moro, fosse o presidente da comissão. O Planalto não gostou da indicação. Resultado: o acordo foi quebrado.

Para o grupo “morista”, o ex-juiz da Lava Jato deve estabelecer condições para permanecer no cargo. Uma delas seria a autonomia para manter quadros técnicos na Polícia Federal e o diretor-geral da corporação, Maurício Valeixo.

Em conversas recentes, Moro foi aconselhado por senadores a impor suas exigências a Bolsonaro, para não perder autoridade. “Você não pode se apequenar” e “Se perder o poder de indicação na Polícia Federal, você está morto”, foram frases ditas por parlamentares ao ministro.

“Não vejo motivos para a substituição na PF. O trabalho vem sendo exemplar e está no início. Qualquer alteração não será pelos melhores motivos”, disse Alexandre Vieira, que foi diretor-geral da Polícia Civil em Sergipe, entre 2016 e 2017.

Aliados cobram posição firme de Moro

A ala próxima de Moro também cobra dele uma posição firme em relação às interferências do presidente na Receita Federal e no Coaf. Há entre os “moristas” os que pedem ao ministro para tirar dividendos da crise e pedir demissão “ao vivo”, durante entrevista.

Na avaliação desse núcleo, que votou em Bolsonaro, mas se diz decepcionado com ele, o presidente deixou de priorizar o combate à corrupção e as ações de segurança pública – suas principais bandeiras de campanha – ao escantear Moro.

O secretário de Segurança do Distrito Federal, Anderson Gustavo Torres, cotado para substituir Valeixo, virou alvo. “É um absurdo essa fritura em cima do Moro. Está na cara que o presidente acabou não priorizando a segurança pública”, comentou Marcio Bittar

Moro tem se esforçado para se aproximar de parlamentares. Recentemente, compareceu a jantares na casa de senadores, como Marcos Do Val (Podemos-ES) e Lucas Barreto. Para aliados, uma das maneiras de evitar maior desgaste é barrar requerimentos para o ministro comparecer ao Congresso.

Relator do pacote anticrime de Moro na Câmara, Capitão Augusto disse que o ministro tem um projeto para o País “muito maior que seu orgulho”. “A oposição torce para que ele saia, mas não há nenhuma chance de isso acontecer”, afirmou. Para ele, a saída de Moro formaria um “vácuo muito grande” no governo porque ele é “o ministro mais importante para a sustentação de Bolsonaro”./AE

Comente com Facebook