Do lado francês, o PSG chega à decisão após o desmonte do trio de astros formado por Lionel Messi, Neymar e Kylian Mbappé, que atuaram juntos entre 2021 e 2023. Mbappé permaneceu por mais uma temporada, mas foi somente com sua saída e com a chegada do técnico Luis Enrique que o clube parisiense encontrou o equilíbrio necessário.
“O fato de ter um jogador que se movimentava por onde quisesse no campo implicava que havia situações do jogo que eu não controlava”, afirmou o treinador espanhol em cena do documentário Luis Enrique: Você Não Sabe P*** Nenhuma*, disponível na plataforma Max. “No ano que vem, vou controlar todas. Todas, sem exceção.”
Com a saída do astro pouco adepto de orientações táticas, Enrique deu mais protagonismo a nomes como Ousmane Dembélé. Já no meio-campo, Vitinha deixou a timidez dos tempos em que dividia a posição com Marco Verratti, outro que deixou o clube, e se tornou uma das engrenagens centrais do time.
Sob o comando do fundo qatari que controla o clube desde 2011, o PSG passou por um reposicionamento. Os investimentos, antes quase ilimitados, diminuíram. Paralelamente, o clube enfrenta uma disputa judicial com Mbappé, que cobra salários e bônus não pagos. Um embargo de 55 milhões de euros (R$ 353 milhões, na cotação atual) foi determinado pela Justiça francesa a favor do jogador.
Se em Paris a mudança foi comandada de cima para baixo, em Milão a transformação veio por necessidade. A Inter já adotava uma postura mais comedida no mercado mesmo antes da transição de controle do grupo chinês Suning para o fundo norte-americano Oaktree. A venda de ativos virou rotina, entre elas, a de Achraf Hakimi ao PSG em 2021 por 68 milhões de euros (cerca de R$ 400 milhões, à época).
A solução encontrada foi apostar em atletas sem custo de transferência, como o atacante Marcus Thuram, ou em veteranos em fim de contrato, como o goleiro Yann Sommer, 36, e o zagueiro Francesco Acerbi, 37. A aposta deu resultado. A equipe superou gigantes como Bayern de Munique e Barcelona até alcançar a decisão.
A final entre Inter e PSG, portanto, não é apenas um confronto entre Itália e França. É o símbolo de um novo momento no futebol europeu, em que grandes potências são obrigadas a repensar estratégias e modelos para seguir no topo. Um duelo entre a austeridade e o pragmatismo, e entre dois clubes que, à sua maneira, reinventaram-se para sonhar com a glória continental.
(Foto reprodução)






