O problema é ainda pior entre as mulheres. Na faixa etária dos 15 aos 29 anos, praticamente uma em cada quatro delas (24,7%) não estuda nem trabalha, quase o dobro da porcentagem registrada entre os homens (12,5%). A diferença pode ser explicada porque, no caso delas, muitas deixam de estudar para se ocupar do trabalho doméstico não remunerado ou ainda por causa de gravidez.
A desigualdade surge com ainda mais profundidade no recorte por raça. A proporção de pessoas pretas ou pardas que não estavam ocupadas nem estudavam (21,1%) no ano passado é bem superior ao das pessoas brancas na mesma condição (14,4%).
De acordo com os novos números, os brasileiros na faixa etária dos 15 aos 29 anos são 48 milhões. Desse total, além dos 18,5% que não estudavam nem trabalhavam, 16,4% estudavam e trabalhavam e, a maioria, 39,4%, trabalhavam e não estudavam.
Além da queda no número de “nem-nem”, os números revelam também um aumento de 2,6 pontos porcentuais entre os que apenas trabalhavam frente aos índices de 2019. Na análise dos pesquisadores, as diferenças ocorrem por conta da maior demanda do mercado de trabalho.
A necessidade de trabalhar (48%) foi o principal motivo apontado por homens e mulheres para abandonar a escola. O abandono escolar ainda é um dos principais gargalos da educação no País. Na tentativa de frear o problema, o governo federal lançou no ano passado o programa Pé-de-Meia, que prevê auxílios financeiros aos jovens que seguem nas salas de aula durante o ensino médio.
“Os motivos para o pessoal do ensino médio em diante abandonar a escola é a necessidade de trabalhar, que ainda é um problema muito grande”, afirmou a coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, Adriana Beringuy. “Precisamos de ferramentas políticas de retenção na escola para que se aprimorem e, no futuro, possam entrar no mercado de trabalho já formadas, com maior capacidade de desenvolver suas potencialidades.” Esta Pnad ainda não consegue captar os efeitos do Pé-de-Meia.
Em 2024, pessoas com 15 anos ou mais de idade que frequentavam a escola representavam 77,5% do total – uma queda em relação ao índice de 2016, que era de 83%. No ensino superior e na especialização, mestrado ou doutorado, no entanto, as porcentagens aumentaram, respectivamente, de 14,6% para 16,8% e de 2,8% para 5,5%.
“Os dados mostram que cada vez mais as pessoas estão indo para a escola e permanecendo por mais tempo”, afirmou Adriana. “Naturalmente muitos identificam caminho de evolução profissional através do estudo e, com isso, a demanda pelo ensino superior aumenta.”
Busca pelo primeiro emprego
A designer Steffany da Silva Lima, 27 anos, se candidatou a mais de 70 processos seletivos no segundo semestre de 2024, período em que estava na categoria chamada de “nem-nem”, isto é, nem trabalhando, nem estudando. Ela se formou no meio do ano e ficou o segundo semestre todo em busca do primeiro emprego. Finalmente conseguiu uma oportunidade no final do ano.
Esse movimento não foi só da designer, mas de muitos outros jovens brasileiros, que conseguiram um emprego ou voltaram a estudar em 2024. Steffany não era “nem-nem” por opção. Ela estava em busca de um emprego, conta, mas teve dificuldade em conseguir uma primeira oportunidade após se formar porque não tinha feito estágio fora da faculdade e o mercado de trabalho não estava favorável, segundo a recém-formada.
“A minha maior dificuldade foi a falta de experiência e a falta de oportunidades com um salário vantajoso”, ela afirma.
Nesse tempo sem ocupação e sem estudos, ela buscou arrumar seu portfólio e currículo. “Eu sempre busquei outros cursos. Eu sou designer, mas sei um pouco de marketing digital, de publicidade (pois chegou a cursar a faculdade anteriormente). Eu sou bem adaptável”, conta Steffany.
Das mais de 70 vagas para as quais se candidatou, foi chamada para uma primeira entrevista em poucas empresas. “Nem a oportunidade de ir na entrevista eu estava tendo”, diz. A jovem conseguiu se sustentar porque mora com os pais./AE
(Foto: Reproduçao)






