O cientista político Renato Dorgan, CEO do instituto, avalia que o embate pode ter ajudado o presidente a empatar com o candidato do PL entre indecisos de classe C2D (grupo com renda média variando entre 1.100 e 2.600). “Não por alguma proposta de Lula, mas por erros de Flávio e o caso Ana Clara, que impressionantemente tinha alto conhecimento”, aponta Dorgan.
A pesquisa conduzida por Dorgan reuniu 12 eleitores: seis indecisos, três que declaram voto em Flávio e três em Lula. Em uma casa na Vila Mariana, na zona sul de São Paulo, o grupo acompanhou o debate e comentou em tempo real as falas dos candidatos. Para sinalizar suas reações durante a transmissão, os participantes usaram cartões coloridos: verde para aprovação, amarelo para neutralidade e vermelho para reprovação.
A dinâmica foi realizada em uma “sala de espelho”, que permitiu à reportagem observar os participantes do outro lado de um vidro, sem ser vista por eles. Amplamente utilizada por campanhas eleitorais, a pesquisa qualitativa tem caráter analítico e não possui rigor estatístico, portanto, não equivale a um levantamento de intenção de voto. Os participantes eram moradores da cidade de São Paulo, das classes B, C e D, e moram em bairros das zonas Sul, Leste e Oeste.
A pesquisa mostrou que, às vésperas da eleição, os eleitores de Lula e Flávio parecem convictos do voto: nenhum dos dois candidatos perdeu apoiadores ao final do debate. Entre os indecisos, porém, o ponteiro se moveu na direção do petista: cinco dos seis participantes do grupo saíram do encontro mais inclinados a votar pela reeleição do atual presidente, enquanto uma permaneceu indecisa.
“Os eleitores de Lula e de Flávio ficaram imóveis, enquanto os indecisos, em sua maioria das classes C e D, se inclinaram para Lula. O caso Ana Clara foi um dos fatores decisivos para inclinação para Lula, levando Flávio a ficar em desvantagem no debate.






