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Fibromialgia afeta milhões de pessoas no Brasil

Seres humanos crescem convivendo com a dor. Dos joelhos ralados na infância às dores de cabeça (muitas vezes literais) da vida adulta, sentir dor é rotineiro. Mas, e quando sua causa não é aparente, e se a ela ainda se somam outros sintomas, como fadiga, desorientação e estresse? O diagnóstico pode ser fibromialgia.

“A definição clínica de fibromialgia é de dor sem origem orgânica concreta, não localizada, ou seja, que acomete os quatro quadrantes do corpo, não necessariamente ao mesmo tempo, que perdura mais do que três meses, uma vez afastadas outras causas”, explica o reumatologista Pedro Ming. Pós-doutorado em doenças autoimunes pela Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, e autor do livro A ciência da dor (Editora Unesp – veja o box), Ming se dedica a desconstruir preconceitos relacionados a esta condição, que causa muitas dúvidas e poucas unanimidades.

“Baseando-me em minhas pesquisas e experiências de consultório, discordo das conclusões dos colegas autores das diretrizes: sabemos, sim, bastante sobre as causas dessas condições, e, ao menos para uma significante parcela desses pacientes, a ‘cura’ pode ser alcançada”, aponta na obra. “Entendam por ‘cura” não apenas as mudanças ‘existenciais, filosóficas e sociais’, mas também as médicas e psicológicas que lhes possibilitarão uma vida mais completa, feliz e sem a dor disfuncional.”

Entre 2% e 4% da população brasileira se encaixam na definição clínica de fibromialgia. “Mas se estendermos as fronteiras desse diagnóstico, de forma a englobar outras síndromes ligadas à fibromialgia, que não cabem dentro da definição clássica, estaremos falando de pelo menos 40% da população”, pontua o reumatologista.

“Um artigo recente comparou as diretrizes de tratamento das sociedades de reumatologia ao redor do mundo e conclui que existe muito mais discordâncias do que concordâncias”, diz Ming, “um bom indicador do quanto ignoramos sobre a melhor maneira de lidar com essa síndrome. Por mais que ajudem em curto-médio prazo, os tratamentos medicamentosos são altamente ineficazes em longo termo. Entre os raros pontos de consenso estão o exercício físico e a terapia cognitivo-comportamental”./AB

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