A celebração foi empanada por incidentes esparsos de violência, que levaram a mais de 500 prisões e deixaram dois mortos: um jovem de 17 anos foi esfaqueado no sudoeste da França, e um homem que pilotava uma scooter foi atropelado em Paris. Um policial está em estado de coma. Em Grenoble, um carro avançou em uma multidão, deixando dois feridos graves. O motorista se entregou à polícia.
Na capital, a comemoração virou evento de campanha para que o atacante Ousmane Dembélé, principal nome do time na Champions, receba a Bola de Ouro de melhor jogador da temporada. Microfone em punho, o zagueiro brasileiro Marquinhos, capitão do time, puxou o coro da torcida nos Champs-Elysées: “Ousmane, Ballon d’Or!”.
A Bola de Ouro é um prêmio entregue pela revista francesa France Football anualmente, após votação por um júri internacional. No ano passado, a vitória do espanhol Rodri sobre o brasileiro Vinicius Junior gerou polêmica no mundo do futebol. Neste ano, a cerimônia será em 22 de setembro.
O avião da Qatar Airways, patrocinadora do PSG, pintado no azul-escuro do time e com a bola estrelada que é o logo da Champions League, pousou às 16h locais (11h em Brasília) no aeroporto Charles de Gaulle.
Marquinhos desceu os degraus segurando uma das alças da réplica da taça. a original fica na sede da Uefa, a confederação europeia, na Suíça. A outra alça era segurada por Nasser al-Khelaïfi, presidente do clube e do Qatar Sports Investment, fundo que comprou o PSG em 2011.
“On l’a fait!” (“conseguimos!”), gritou em francês Marquinhos, que joga há 12 anos no clube, brandindo a taça.
Na Champs-Elysées, cerca de 100 mil torcedores esperavam a delegação, que deixou o aeroporto em dois ônibus decorados com os dizeres “Champions d’Europe” e a imagem da taça. O percurso do aeroporto à avenida levou pouco menos de uma hora.
A Champs-Elysées recebeu cinco vezes mais gente na comemoração da Copa do Mundo de 1998. Desta vez, preocupações com a segurança levaram a polícia francesa a limitar a quantidade de público autorizada a acompanhar o desfile.
O forte esquema de segurança manteve os jogadores cercados por uma legião de guarda-costas, a uma dezena de metros da torcida, tirando um pouco da espontaneidade da ocasião.
O percurso da esquina da avenida Matignon ao Arco do Triunfo, de 1.300 metros, foi feito em pouco mais de 40 minutos.
Os mais festejados eram Marquinhos, o técnico Luis Enrique e o jovem Désiré Doué, 19, autor de dois gols e um passe decisivo na vitória por 5 a 0 sobre a Internazionale, de Milão, no sábado (31/5), em Munique.
A equipe foi recebida no salão de festas do Palácio do Eliseu pelo presidente da França, Emmanuel Macron. Ele fez uma ressalva antes do discurso que parabenizou o PSG. “Nada pode justificar o que aconteceu nas últimas horas na capital e no país. Os confrontos são inaceitáveis. A nação está enlutada. O futebol não é isso.”
Depois, elogiou os veteranos Marquinhos e Achraf Hakimi: “Vocês viraram os velhos sábios do time”. O brasileiro chorou com o abraço de Macron.
O presidente recebeu uma camisa do PSG, com a recém-conquistada estrela de campeão europeu sobre o escudo.
Do palácio presidencial, os jogadores seguiram para o Parque dos Príncipes. No estádio, o tenista sérvio Novak Djokovic, que está em Paris para a disputa do Torneio de Roland Garros, participou da festa.
(Foto: reprodução)






