Por Reginaldo Silva- Professor, Radialista e Jornalista

Em evento do PSB neste fim de semana, o presidente estadual da legenda, Eudoro Santana, saiu da sua condição habitual e elevou o tom contra o pré-candidato ao Governo do Estado, Ciro Gomes.
Eudoro admitiu, no encontro com lideranças da legenda, a possibilidade de Ciro concorrer ao Palácio da Abolição e disparou: “Ele não merece, não tem respeito por ninguém, é uma pessoa perniciosa”. Eudoro disse ainda que não gosta de falar de ninguém, mas era preciso chamar a atenção para essa conjuntura.
A declaração de Eudoro joga luz na sombra de uma questão central na campanha do ano que vem. Não se pode enfrentar um adversário político sem atacar suas fragilidades; faz parte do jogo eleitoral.
Ocorre que Ciro é irmão de Cid, que, por sua vez, é irmão de Lia, secretária de Estado, e do ex-prefeito de Sobral, Ivo Gomes; o trio está alinhado à reeleição de Elmano. Mas até que ponto podem suportar o aumento do tom das críticas ao irmão? E como irão se comportar na campanha se os ânimos se acirrarem?
Cid já demonstrou que determinadas situações têm limites. No final de setembro, no Aeroporto de Crateús, Cid não quis ser recebido pela prefeita Janaína Farias, após ela ter entrado na Justiça com um pedido de prisão contra o irmão.
“Ciro é meu irmão”, disse ele na ocasião, ao declarar que não seria recebido pela gestora. O presidente da Assembleia, Romeu Aldigueri, foi o responsável por contornar a situação.
Essa questão é o ponto central da campanha do ano que vem e precisa ser debatida claramente na base governista. Limites claros fortalecem relações e não sai caro para ninguém.
A oposição, por sua vez, estuda cada movimento para ver se tira algum proveito da situação. Muito embora o bloco oposicionista também esteja envolvido em solucionar seus próprios conflitos, deflagrados depois da visita de Michelle Bolsonaro ao Ceará.
Ciro também segue seu período sabático, depois que o PL nacional suspendeu, por tempo indeterminado, as negociações com a pré-candidatura dele ao Palácio da Abolição.
A classe política monitora cada movimento do jogo para tentar entender e prever os próximos passos. É um jogo de paciência, sobretudo porque a movimentação do cenário nacional influencia diretamente e, muitas vezes, determina a tomada de decisão nos estados.
As críticas de Eudoro a Ciro abrem as portas para um debate que tem sido evitado na base governista. O silêncio de Ciro tem ajudado na unidade do bloco de oposição. Já quanto às reações de Cid, para quem acompanha a vida política do Ceará, sabe que elas são imprevisíveis.
Uma coisa é certa: quando o jogo começar de verdade, não haverá espaço para ambiguidades.
Façam suas apostas…





