A ansiedade faz parte da vida do ser humano desde a pré-história, de acordo com especialistas que participaram do Fórum : Precisamos Falar Sobre Ansiedade, Sem ela, segundo eles, não seria possível, no período dos Homens de Neanderthal (Homo neanderthalensis), por exemplo, sobreviver em uma floresta que estivesse cheia de animais predadores. É, em grande parte, por causa da ansiedade que é possível antecipar possíveis ameaças e, com isso, buscar soluções mais rapidamente. Agora, quando descontrolada, o transtorno de ansiedade, clinicamente diagnosticado, atrapalha, e muito, o dia a dia.
“Todos nós temos a ansiedade e isso nos fez sobreviver (ao longo das gerações)”, diz o psiquiatra do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas Luiz Vicente Figueira de Mello. “Temos uma condição biológica preexistente de nos precaver e avançar. Temos que ter ansiedade, senão, não vamos para frente”, completa. Mello ressalta que o problema, de fato, começa quando fica patológico, ou seja, se torna um transtorno, uma doença. “A (ansiedade) patológica nos tira a liberdade de ação. Devemos saber lidar com a ansiedade.”
O psiquiatra e bacharel em filosofia Daniel Martins de Barros explica que o primeiro passo para ser dado em relação ao lado emocional é se conhecer. “Ver se somos mais ansiosos ou tranquilos. A predisposição a gente vê muito cedo (desde criança)”, afirma. E complementa que a ansiedade se torna patológica quando ela manda nas ações de uma pessoa e não o contrário. Quem tem que estar no comando é o próprio indivíduo. “Se está o tempo todo assim, este é o primeiro sinal de alerta.”
O evento ainda contou com discussão sobre o impacto das tecnologias modernas na vida das pessoas e como o excesso de exposição em redes sociais pode se tornar um “gatilho” para as crises de ansiedade. “Hoje, a ansiedade acontece por conta da busca da felicidade”, afirma Leandro Karnal. “Nas redes sociais, isso aumenta, há um descompasso entre o real e o imaginário”, diz. /AE






