Entre o golpe e a democracia, Lula, Moro e o povo nas ruas. Por Reginaldo Silva

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“Golpe de Estado”é o termo utilizado para designar ação de um grupo político ou de  autoridades que violam as formas constitucionais para conquistar o poder político por meios ilegais. Essa é a tese do PT, para justificar a permanência da presidente Dilma, ou seja, a oposição estaria tentando tomar o poder por vias não legítimas.

Na história do Brasil podemos citar o Golpe da Maioridade, o Golpe da República, o Golpe do Estado Novo, o Golpe Militar e muitos outros em menores proporções. Portanto, essa palavra não é nova no dicionário da história política brasileira.

De um lado, o PT acusa a “direita” (oposição) de não aceitar o resultado das urnas da última eleição. De outro, o PSDB acusa a “esquerda” leia-se PT, Dilma e Lula de terem montado a maior rede de corrupção já estabelecida no país. A disputa entre PSDB e PT tem levado o país a uma crise política e econômica jamais vista em nossa história.

Dentro desse contexto, surge uma operação da Polícia Federal denominada de Lava Jato, que começou a desvendar uma rede de corrupção entre empreiteiros e políticos capaz de desestabilizar toda a República.

Neste cenário, surgem os personagem que estão levando a divisão do povo brasileiro.

O Juiz Sergio Mouro que mandou prender políticos e donos de grandes construtoras aparece como Herói Nacional.

Lula que já tinha o título de herói da classe pobre do país e reconhecido mundialmente pelos seus feitos no combate a pobreza.

A Rede Globo, a Veja, a Folha de São Paulo, a Época, o Estadão e outros importantes veículos de comunicação saíram em defesa do juiz Sérgio Mouro, do Impeachment da presidenta Dilma e da prisão de Lula.

A presidente da República e o PT  saíram  em defesa de Lula.

No dia 13, milhares de manifestantes vestidos de verde e amarelo saíram em defesa da prisão de Lula, do impeachment da presidente Dilma e em defesa do Juiz Sérgio Mouro.

Hoje, 18, milhares de pessoas saíram às ruas em defesa da democracia, da presidente Dilma e do ex-presidente Lula.

A grande verdade é que não existe heróis neste contexto histórico.

Nenhum cidadão  vai defender a corrupção nesse país, muito embora ela seja endêmica, desde a chegada dos portugueses quando tentavam comprar a consciência dos índios para irem ocupando todo seu território. Precisaríamos de uns cinquenta anos de ensino de ética nas escolas da Educação Básica ao Ensino Superior para erradicar esse mal.

Portanto, todo aquele que estiver envolvido em crimes de corrupção seja do PT, PSDB e de qualquer outra sigla, que pague pelos crimes que cometeu.

No entanto, mesmo ninguém estando acima da lei, um juiz não pode fazer gravações de uma presidente e jogá-la na imprensa, sem a devida autorização do Supremo Tribunal Federal, que aliás, precisa tomar as rédeas da justiça para evitar danos maiores ao povo brasileiro.

Instalou-se no país um clima de Brasil e Argentina em final de Copa do Mundo num jogo realizado em campo aberto, onde qualquer vencedor, poderá não erguer a “taça” em virtude do conflito estabelecido entre as duas torcidas.

O bombardeio de informações é tão grande que o cidadão comum, não sabe mais em quem acreditar.

Eduardo Cunha, não tem moral para presidir um processo de impeachment da presidente Dilma.

Se Lula está errado que pague pelos crimes que cometeu, mas que o processo siga os trâmites legais e não seja acelerado em virtude das coberturas da Rede Globo.

Não se pode tirar uma presidente da República com a falsa ilusão de que no outro dia os problemas brasileiros estarão resolvidos. É só olhar a história dos golpes anteriores.

Os jovens brasileiros não podem deixar de acreditar na política, sob pena de assistirem  os velhos caciques, com velhas práticas, assumindo o comando da política nacional.

Esperamos que a Lava Jato continue prendendo e recuperando dinheiro da Petrobras e de outras estatais, agindo rigorosamente dentro da lei, sem excessos e exibicionismos, que Dilma eleita democraticamente pela maioria do povo brasileiro termine seu mandato em nome da democracia e que todos os envolvidos na operação sejam punidos.

Lula cumpriu seu papel enquanto presidente, Sergio Mouro está cumprindo seu papel agora enquanto juiz, não é a vitória de um sobre o outro que vai determinar sua posição na história.

Como diria Machado “cumpre advertir que a natureza é uma grande caprichosa e a história uma eterna loureira”

Se o nosso povo se informasse mais, antes de votar, talvez não sacrificasse tanto seus finais de semana para ir às ruas.

 

 

 

 
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