O encontro da oposição cearense, realizado neste fim de semana durante a festa de aniversário do ex-prefeito Roberto Cláudio, na fazenda do deputado estadual Felipe Mota, reuniu lideranças e pré-candidatos, mas deixou mais interrogações do que definições sobre o futuro político do grupo.
André Fernandes e o PL
O deputado federal André Fernandes deixou nas entrelinhas de suas declarações à imprensa, de que “o martelo ainda não foi batido” e que é razoável que os partidos possam sonhar com candidaturas próprias, que o PL deverá apresentar um nome oportunamente e que tem muita água para rolar até suas definições. Segundo ele o próprio Ciro nunca declarou que é pré-candidato. Ele também fez questão de esclarecer que existe esse sentimento de unidade, mas, de concreto, ainda não existe nada definido.
Ciro Gomes evita cravar candidatura
Já o ex-ministro e ex-presidenciável Ciro Gomes, mesmo presente, não cravou uma pré-candidatura ao Palácio da Abolição. A cautela reflete duas situações: primeiro, a análise do cenário nacional, no qual ainda considera uma possível candidatura à Presidência; segundo, a indefinição partidária; já que Ciro ainda não definiu se permanecerá no PDT ou migrará para o PSDB.
Além disso, o ex-ministro tem plena consciência de que uma candidatura nacional traria menos desgaste do que uma disputa estadual, já que está há anos afastado do corpo a corpo político no Ceará, dedicando-se ao seu projeto de alcance nacional. Soma-se a isso os atritos acumulados ao longo dos anos com lideranças do bloco oposicionista no estado, já que sempre militou do alado oposto, o que complica ainda mais o cenário de unidade do bloco.
O fator Bolsonaro e o discurso anti-PT
Ciro é um atento analista dos bastidores da política nacional e avalia que as pré-candidaturas de governadores ligados a Jair Bolsonaro; como Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Ratinho Junior (PSD-PR), Ronaldo Caiado (União-GO) e Romeu Zema (Novo-MG); ainda dependem das bênçãos do ex-presidente que segue inelegível para as eleições do ano que vem. Nesse vácuo político, Ciro aposta que seu discurso anti-petista, sem depender diretamente do bolsonarismo, poderia atrair parte significativa desse eleitorado em um eventual disputa de segundo turno.
Mais interrogações do que definições
Com isso, o encontro acabou evidenciando muito mais dúvidas do que certezas. Enquanto André Fernandes ensaia a defesa de candidatura própria do PL e Ciro mantém silêncio estratégico, o grupo oposicionista não crava o nome de Roberto Cláudio, não define um nome de outra legenda e, segue sem uma definição clara do bloco rumo ao Palácio da Abolição.
Confira o comentário do colunista Reginaldo Silva:
(Foto: reprodução)





