Por Reginaldo Silva- Professor, Radialista e Jornalista

Na pandemia, o prefeito de Eusébio, Acilon Gonçalves, fez críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro em relação a forma do ex-presidente gerir a crise sanitária no Brasil. Acilon estava no comando do PL no Ceará, quando Bolsonaro chegou ao partido, aos poucos, o prefeito foi moderando seu discurso até apoiar abertamente o presidente e assumir em definitivo a bandeira do bolsonarismo no estado.
Acilon é da ala moderada com objetivos claros para as próximas eleições municipais, manter a base hegemônica de prefeitos na Região Metropolitana de Fortaleza e, ampliá-la caso encontre espaço. A ala mais moderada do PL é ligada ao presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, enquanto a mais radical segue cegamente Bolsonaro.
De acordo com o guru político de Bolsonaro nos EUA, Steve Bannon, Eduardo Bolsonaro seria uma boa opção como candidato a presidente nas próximas eleições presidenciais, caso o ex-presidente fique inelegível. Ao se configurar esse cenário político para 2026, de manter viva uma candidatura para presidente com o sobrenome da família, as eleições municipais do próximo ano toram-se um laboratório, sobretudo, para a ala mais radical do bolsonarismo. Desta forma, o PL deverá ter candidato em todas as capitais e cidades mais estratégicas do país com o propósito de fortalecer a base para 2026.
Dentro desse contexto, o PL deve lançar candidatos a prefeito nas capitais e nas maiores cidades do Brasil, sobretudo, escolhendo nomes identificados com o bolsonarismo. Fortaleza é estratégica para região Nordeste e, tem em seus quadro os dois deputados mais votados na última eleição, André Fernandes, na Câmara Federal, que lidera a tropa de choque na CPI mista no Congresso sobre os atos de 8 de janeiro e Carmelo Neto que mantém viva a chama do bolsonarismo raiz na Assembleia Legislativa do Estado.
Assim, temos duas alas com interesses divergentes dentro da mesma sigla e convergindo com o objetivo de manter as regalias da legenda com o vultoso fundo partidário da maior agremiação do Congresso Nacional. Nesta linha de raciocínio a candidatura da direita na capital cearense é inevitável por ser estratégica para o partido e possivelmente será ocupada pela ala mais radical do bolsonarismo. Já a ala mais moderada vai se movimentar com o projeto de manter o que tem na RMF e quiçá ampliá-la.
Corroborando essa tese, o PL tem se movimentado através dessa ala mais moderada para tentar ampliar o poder de fogo na Região Metropolitana de Fortaleza em relação a tomada de poder no município de Maracanaú, buscando a união das oposições. Naquele município, um dos principais líderes da oposição ao prefeito Roberto Pessoa é o deputado estadual Júlio César, hoje no PT, que mesmo mantendo uma boa relação com essa ala moderada do PL, as lideranças encontrariam obstáculos partidários para tentar unir as duas legendas no mesmo palanque, esse pragmatismo passa ao largo na cabeça de Gleisi Hoffmann.
Outro avanço da direita moderada caminha em direção a aproximação com o prefeito de Fortaleza José Sarto, com a ida de Raimundo Gomes de Matos para gestão, essa aproximação torna-se interessante para o prefeito, já que, quanto mais dividida for a oposição, mais fortalecido fica o governo. A Sarto interessa a reeleição na capital, a ala mais moderada do PL interessa a Região Metropolitana de Fortaleza, não existe conflito de interesses e a convivência é pacífica.
Quanto a ala mais radical do PL, que Bolsonaro tome de conta e salve-se quem puder.






