A paciente morreu menos de 24 horas após dar entrada no hospital, e a Vigilância Epidemiológica identificou carrapatos infectados por uma bactéria do gênero Rickettsia em cães da vítima.
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP), o Estado registrou, neste ano, 19 casos confirmados de febre maculosa e 18 mortes.
A região de Campinas concentra o maior número de infecções, com cinco casos confirmados, seguida por Piracicaba e Sorocaba, com três registros cada. Santo André e São José dos Campos tiveram um caso cada, enquanto os demais seguem com o local provável de infecção em investigação.
O que é a febre maculosa?
A febre maculosa é uma doença infecciosa causada por bactérias do gênero Rickettsia e transmitida por carrapatos. Segundo a SES-SP, o principal vetor é o carrapato-estrela, também conhecido como carrapato-de-cavalo ou rodoleiro.
Depois de entrar no organismo, a bactéria invade as células que revestem os vasos sanguíneos. “Essas bactérias destroem toda a parede do vaso e o paciente pode evoluir para um quadro semelhante a uma sepse”, explica a infectologista Elba Lemos, integrante do Comitê de Medicina Tropical da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).
Como a doença é transmitida?
A febre maculosa é transmitida principalmente pela picada do carrapato infectado. “Diferentemente do mosquito, o carrapato precisa de tempo para procurar um local para se fixar. Pode ser atrás da orelha, atrás do joelho, na mama ou na virilha. Ele introduz o aparelho bucal na pele e forma uma espécie de gancho, o que dificulta a retirada”, explica Elba.
Depois, o carrapato libera a bactéria na pele junto com a saliva e outras substâncias que impedem a coagulação do sangue durante sua alimentação.
Quais animais podem carregar carrapatos?
Capivaras, cavalos, cães, antas e outros mamíferos participam do ciclo da febre maculosa, mas não transmitem a doença diretamente às pessoas.
“Eles não são reservatórios, são amplificadores. Como servem de alimento para o carrapato, acabam ampliando a circulação da bactéria na natureza”, diz Elba.
Quais são os sintomas da febre maculosa?
Os primeiros sintomas costumam surgir entre dois e 14 dias após a picada do carrapato, com média de sete dias.
No início, a doença provoca febre, dor de cabeça, dores no corpo e nas articulações, além de fraqueza intensa e cansaço.

Quais são os sintomas da febre maculosa?
Os primeiros sintomas costumam surgir entre dois e 14 dias após a picada do carrapato, com média de sete dias.
No início, a doença provoca febre, dor de cabeça, dores no corpo e nas articulações, além de fraqueza intensa e cansaço.
Entre o terceiro e o quinto dia da doença, pode surgir também uma erupção cutânea, que geralmente começa nos punhos e tornozelos e se espalha pelo restante do corpo, incluindo as palmas das mãos e as plantas dos pés.

Por que o diagnóstico é um desafio?
Como os sinais são muito parecidos com os de outras infecções, a febre maculosa pode ser confundida com dengue, gripe e leptospirose.
Por isso, além dos sintomas, o médico deve considerar se o paciente esteve em áreas com carrapatos ou relata uma picada recente, explica Elba.
Diante da suspeita, a orientação é coletar uma amostra de sangue e iniciar imediatamente o tratamento, sem esperar a confirmação laboratorial. “O diagnóstico laboratorial é complexo. A bactéria fica dentro das células e, no início da doença, é como se estivesse escondida, o que dificulta sua detecção.”
Outro desafio é que o exame sorológico, um dos mais utilizados para confirmar a doença, costuma indicar resultado negativo nos primeiros dias porque o organismo ainda não produziu anticorpos suficientes.
Como é feito o tratamento?
O tratamento da febre maculosa é feito com antibióticos e deve ser iniciado o mais rápido possível.
Quando o diagnóstico é precoce, o tratamento pode ser feito por via oral. Já nos casos mais graves, o antibiótico precisa ser administrado de forma intravenosa.
“Quando o paciente já apresenta complicações, o tubo digestivo pode estar comprometido e o organismo deixa de absorver adequadamente o medicamento por via oral. Nesses casos, o tratamento precisa ser endovenoso”, afirma Elba.
A especialista reforça que o tempo é determinante para o sucesso do tratamento. “Se o tratamento for iniciado muito tardiamente, nem o antibiótico endovenoso será capaz de reverter o quadro”, alerta.
Como prevenir a febre maculosa?
A principal forma de prevenção é evitar o contato com carrapatos. Nesse sentido, a especialista recomenda:
- Avaliar o ambiente antes de entrar: áreas com mato alto, próximas a fragmentos de mata e com a presença de animais como capivaras, cavalos, vacas e cães podem favorecer a ocorrência de carrapatos.
- Usar roupas adequadas: dê preferência a roupas claras e compridas. As peças claras protegem a pele e facilitam a visualização dos carrapatos. A recomendação é evitar bermudas e shorts e, depois de deixar uma área com risco de carrapatos, não reutilizar as roupas antes de lavá-las.
- Inspecionar o corpo durante e após a exposição: como o carrapato precisa permanecer preso à pele por algum tempo antes de transmitir a bactéria, é importante examinar o corpo com frequência e pedir ajuda para verificar regiões de difícil visualização.
- Utilizar repelente: o repelente pode ajudar na prevenção e deve ser aplicado tanto na pele quanto nas roupas. É importante reaplicar o produto ao longo do dia.
- Adotar barreiras para dificultar a subida dos carrapatos:durante atividades em áreas de risco, Elba sugere colocar fita dupla face nos punhos da camisa e na parte da calça presa dentro da bota. A estratégia reduz a quantidade de carrapatos que conseguem alcançar a pele.
Como retirar um carrapato corretamente?
Elba explica que o carrapato não deve ser arrancado de qualquer forma e nem apertado. Como ele fixa o aparelho bucal na pele, puxá-lo bruscamente pode fazer com que essa estrutura permaneça no local, favorecendo uma infecção.
- Prefira usar uma pinça: o ideal é segurar o carrapato com a pinça e fazer um movimento de rotação antes de puxá-lo. Esse movimento ajuda a fechar o aparelho bucal, facilitando a retirada completa do parasita.
- Faça a higiene do local após a remoção: depois de retirar o carrapato, lave a região e aplique um antisséptico.
- Fique atento ao surgimento de sintomas: após uma picada de carrapato, observe o aparecimento de febre, dor no corpo, dor de cabeça ou manchas na pele e procure atendimento médico imediatamente caso esses sinais apareçam.
Onde encontrar mais informações?
A SES-SP disponibiliza um manual técnico com informações sobre a febre maculosa, incluindo orientações para prevenção, diagnóstico e a relação de áreas de risco no Estado. O documento pode ser consultado aqui./AE






