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Ceará Notícias > Blog > Destaques > Com medo da violência, 41% das mulheres dizem que deixaram de sair à noite, segundo Datafolha
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Com medo da violência, 41% das mulheres dizem que deixaram de sair à noite, segundo Datafolha

Ultima atualização: 11/05/2026 10:30 AM
Redação
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11 Min. de Leitura
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O medo da violência atinge muito mais as mulheres do que os homens e levou 40,9% delas a deixar de sair à noite no último ano —para eles, o percentual é de 29,8%. É o que aponta a pesquisa “Os gatilhos da insegurança”, feita pelo Datafolha e divulgada neste domingo (10/5).

A pesquisa foi encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O instituto entrevistou presencialmente 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 137 municípios do país.

No geral, 96,2% dos entrevistados disseram ter medo de ao menos 1 das 13 situações apresentadas na pesquisa. Outros 3,8% responderam não ter medo. A margem de erro nesses casos varia entre 0,8 e 4,2 pontos percentuais.

Tipo de medo

Em %

Tem medo

96,2

Ser vítima de um golpe e perder dinheiro pela internet ou celular

83,2

Ser roubado(a) à mão armada

82,3

Ser morto durante um assalto

80,7

Ter o celular furtado ou roubado

78,8

Ser roubado ou assaltado na rua

78,6

Ser vítima de bala perdida

77,5

Ter sua residência invadida ou arrombada

76,1

Ser assassinado

75,1

Ser vítima de agressão sexual

66,2

Ter sua aliança ou outra joia arrancada em um assalto

65,3

Ser agredido fisicamente pela sua escolha política ou partidária

59,6

Andar pela sua vizinhança depois de anoitecer

47,6

Ser vítima de agressão física pelo parceiro(a) íntimo(a) ou ex

42,2

Não tem medo

3,8

O medo de ser vítima de um golpe ou de perder dinheiro pela internet ou celular foi citado por 83,2%. A menção ao medo de ser roubado à mão armada atingiu 82,3%.

O receio de ser morto durante um assalto acumulou 80,7%, e o de ter o celular furtado ou roubado, 78,8%.

Quando os dados são divididos por gênero, entre as mulheres atingem o maior percentual o medo de ser roubada à mão armada e o de cair em golpes digitais, ambos com 86,6%.

Também superam a faixa dos 80% entre elas as seguintes situações: o de ser morta durante um assalto (86,2%), de ter o celular roubado ou furtado (83,6%), de ser vítima de agressão sexual (82,6%), de ser vítima de bala perdida (82,3%), de ter a residência invadida ou arrombada (82,6%), de ser roubada ou assaltada na rua (83,2%).

No caso dos homens, nenhuma das situações chegou a 80%. As mais próximas foram o medo de ser vítima de golpes digitais (79,6%) e de ser roubado à mão armada (77,7%).

Você diria que tem medo de:

Por recorte de gênero, em %Mulheres Homens

Ser vítima de um golpe e perder dinheiro pela internet ou celular

86,6

Ser roubado(a) à mão armada

86,6

Ser morto durante um assalto

86,2

Ter o celular furtado ou roubado

83,6

Ser roubado ou assaltado na rua

83,2

Ser vítima de agressão sexual

82,6

Ter sua residência invadida ou arrombada

82,6

Ser vítima de bala perdida

82,3

Ser assassinado

79,6

Ter sua aliança ou outra joia arrancada em um assalto

69,6

Ser agredido fisicamente pela sua escolha política ou partidária

65,5

Andar pela sua vizinhança depois de anoitecer

56,8

Ser vítima de agressão física pelo seu marido/esposa/parceiro(a)

48,6

Cálculo a partir da projeção da população com 16 anos ou mais divulgada pelo IBGE em 2025. Fonte: Pesquisa Datafolha e Fórum Brasileiro de Segurança Pública com 2.004 entrevistados de 16 anos ou mais, realizada em 9 e 10 de março. A margem de erro para o recorte de gênero é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos

Os entrevistados pelo Datafolha também responderam se alteraram seu comportamento em razão do medo. O maior percentual, de 36,5%, é daqueles que disseram ter mudado de percurso. Além disso, 35,6% afirmaram que deixaram de sair à noite e 33,5% responderam que deixaram o celular em casa por medo de ser assaltado.

Nos últimos 12 meses, por medo da violência você já

Mudança de comportamento, em %

Mudou um percurso rotineiro?

36,5

Deixou de sair à noite?

35,6

Deixou de sair com o celular por medo de ser assaltado?

33,5

Retirou aliança ou outros acessórios pessoais para andar na rua?

26,8

Deixou de adquirir um bem por medo de ter esse bem roubado/furtado?

22,5

Mudou algum outro comportamento?

19,4

Cálculo a partir da projeção da população com 16 anos ou mais divulgada pelo IBGE em 2025. Fonte: Pesquisa Datafolha e Fórum Brasileiro de Segurança Pública com 2.004 entrevistados de 16 anos ou mais, realizada em 9 e 10 de março. Margens de erro variam de 1,7 ponto percentual a 2,1 p.p., para mais ou para menos

O medo da violência tem reflexo direto sobre o cotidiano delas.

Segundo o Datafolha, 40,9% das entrevistadas disseram que deixaram de sair à noite nos últimos 12 meses por medo da violência e 37,8% que não foram às ruas com o celular por medo de assalto. Nos dois casos, os percentuais são menores para as respostas dos homens, 29,8% e 28,9%, respectivamente.

Nos últimos 12 meses, por medo da violência você já:

Por recorte de gênero, em %FemininoMasculino

Deixou de sair à noite

40,9

Deixou de sair com o celular por medo de ser assaltado

37,8

Mudou um percurso rotineiro

37,6

Retirou aliança ou outros acessórios pessoais para andar na rua

27,7

Deixou de adquirir um bem por medo de ter esse bem roubado/furtado

22,2

Mudou algum outro comportamento

19,4

Cálculo a partir da projeção da população com 16 anos ou mais divulgada pelo IBGE em 2025. Fonte: Pesquisa Datafolha e Fórum Brasileiro de Segurança Pública com 2.004 entrevistados de 16 anos ou mais, realizada em 9 e 10 de março. A margem de erro para o recorte de gênero é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos

Segundo o Fórum Brasileiro, “o mapa feminino do medo incorpora, no centro da percepção de insegurança, uma ameaça que para os homens não ocupa lugar equivalente”.

“Em termos analíticos”, acrescenta a instituição, “isso significa que a experiência feminina da insegurança é mais totalizante: ela atravessa a rua, a casa, o corpo e a rotina”.

Você diria que tem medo de, por classe econômica

Tipo de medo, em %Classe A/BClasse CClasse D/E

Ser roubado(a) à mão armada

78,7

Ser vítima de um golpe e perder dinheiro pela internet ou celular

78,8

Ser morto durante um assalto

77,0

Ser vítima de bala perdida

70,7

Ser roubado ou assaltado na rua

74,9

Ter o celular furtado ou roubado

76,8

Ter sua residência invadida ou arrombada

71,4

Ser assassinado

69,1

Ser vítima de agressão sexual

55,9

Ter sua aliança ou outra joia arrancada em um assalto

61,0

Ser agredido fisicamente pela sua escolha política ou partidária

54,9

Andar pela sua vizinhança depois de anoitecer

43,8

Ser vítima de agressão física pelo parceiro(a)/ex-parceiro(a)

32,7

Cálculo a partir da projeção da população com 16 anos ou mais divulgada pelo IBGE em 2025. Fonte: Pesquisa Datafolha e Fórum Brasileiro de Segurança Pública com 2.004 entrevistados de 16 anos ou mais, realizada em 9 e 10 de março. Margens de erro variam de 3 pontos percentuais a 5 p.p., para mais ou para menos

Os números sobre o medo da violência entre as mulheres vêm ao mesmo tempo em que o registro de feminicídios aumenta no Brasil.

Dados disponibilizados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública no início de maio apontam para um aumento de 7,5% no registro de crimes de feminicídio no primeiro trimestre deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado.

Foram 399 mulheres mortas entre janeiro e março de 2026, o maior número para um primeiro trimestre nos 11 anos de série histórica. No ano passado, no mesmo período, foram 371 vítimas.

A maior quantidade absoluta de vítimas de feminicídios por estado foi registrada em São Paulo, com 86 vítimas, o que representou um recorde local. Nas demais cidades paulistas, o aumento foi de 41% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Parte dos casos ganhou repercussão nacional, a exemplo do episódio envolvendo Tainara Souza Santos, 31. Ela morreu depois de ficar 25 dias internada após ter sido atropelada e arrastada por um quilômetro por um homem apontado como ex-companheiro dela. Durante a internação, teve as duas pernas amputadas.

Foi também em São Paulo que morreu a policial militar Gisele Alves Santana, 32. O coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto está preso sob suspeita de ter cometido o crime.

A escalada de violência contra a mulher em território paulista levou o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) a anunciar no mês passado um pacote de medidas em busca de combater o problema.

As ações incluem a entrega de 69 salas DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) em plantões policiais nos próximos meses e a criação de um plano de metas decenal contra a violência doméstica.

Outra medida é a assinatura de termos de cooperação para ampliar a atuação integrada no enfrentamento à violência.

Um dos acordos viabiliza o Circuito Integrado SP Por Todas, iniciativa que levará atendimento itinerante a mulheres em situação de violência doméstica, reunindo serviços de acolhimento, orientação e encaminhamento./Folha SP

(Foto: Reprodução)

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