Mais tarde, declaração de Trump soa pessimista em relação a novas eliminações de taxas. O presidente americano, disse não acreditar que sejam necessárias mais reduções tarifárias.
Quanto à inclusão, ou não, dos 40% de sobretaxa “política” ao Brasil no alívio desta sexta-feira — dúvida que se seguiu às primeiras horas após a divulgação da ordem executiva da Casa Branca —, o governo americano esclareceu a questão por volta das 20h40.
Após consultas feitas pelo governo brasileiro, a Casa Branca confirmou que, apesar do alívio tarifário de 10% anunciado sobre produtos agrícolas, a tarifa adicional de 40% sobre produtos brasileiros está mantida
A entrada em vigor da modificação das tarifas, coma retirada da sobretaxa básica de 10% sobre produtos do agro, tem efeito retroativo para 13 de novembro, segundo documento publicado pela Casa Branca nesta sexta-feira. De acordo com a publicação, carne bovina de alta qualidade e café estão entre as isenções tarifárias americanas. O documento ainda mostra que a medida abrange as exportações de castanhas-do-pará, caju, coco, laranja, tomate, banana e outras frutas tropicais.
Trump havia assinado em 2 de abril uma ordem executiva que modificava substancialmente a política comercial americana, ao impor uma tarifa mínima de 10%, já que o déficit comercial constituía, em sua opinião, “uma ameaça incomum e extraordinária para a segurança nacional e a economia dos Estados Unidos”, lembra o comunicado da Casa Branca. A essa tarifa mínima foram adicionados suplementos, dependendo dos países e produtos.
O Tesouro americano começou a arrecadar receitas mensais substanciais, mas a inflação foi afetada ao mesmo tempo por esses direitos aduaneiros. Após uma primeira revisão em 5 de setembro, Trump considera agora que “a demanda interna atual por certos produtos e a capacidade interna para produzir certos produtos” obriga a reduzir novamente as tarifas. O custo de vida é citado pelos americanos como uma de suas principais preocupações em pesquisas públicas.
Pressão dos consumidores americanos contribuiu
A medida faz parte de uma resposta à pressão dos consumidores que reclamam dos preços muito altos.
A ação ocorre depois que eleitores em eleições fora do período eleitoral, no início deste mês, citaram preocupações econômicas como sua principal questão, resultando em grandes vitórias para os democratas em disputas na Virgínia e em Nova Jersey.
Trump assinou a ordem executiva após anunciar que os EUA haviam chegado a acordos com Equador, Guatemala, El Salvador e Argentina, destinados a reduzir as tarifas de importação sobre produtos agrícolas produzidos nesses países. Trump sugeriu no início desta semana que reduziria as tarifas sobre o café para ajudar a aumentar sua importação.
Os preços recordes da carne bovina têm sido uma preocupação particular, e Trump afirmou que pretendia tomar medidas para tentar reduzi-los. As tarifas de Trump sobre o Brasil, um dos principais exportadores de carne bovina, têm sido um fator.
Como fica a negociação dos 40% sobre o Brasil?
Na quinta-feira, 13, após se reunir com o secretário de Estado dos EUA para discutir as tarifas a produtos brasileiros, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que “Marco Rubio e os EUA demonstraram interesse em boa relação com o Brasil”.
No encontro, em Washington, o terceiro entre ambos em meio à guerra comercial, Rubio prometeu uma resposta à proposta do Brasil entre “amanhã (sexta-feira, 14) e semana que vem”. O Brasil solicitou aos americanos uma pausa temporária nas tarifas em um acordo provisório para que, então, seja iniciada uma discussão específica em cada setor. /Com Leandro Silveira, AFP e AP
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