Entre esses tumores, os gliomas estão entre os mais comuns. Os de baixo grau geralmente afetam pessoas mais jovens, enquanto os de alto grau aparecem em idades mais avançadas e são ainda mais agressivos. Durante décadas, os avanços no tratamento foram modestos. Felizmente, nos últimos anos, protocolos de pesquisa e novas estratégias têm mudado esse cenário.
Um dos exemplos mais recentes é o vorasidenibe, droga oral recentemente aprovada no Brasil para tratamento de gliomas de baixo grau com mutação no gene IDH. O medicamento atua bloqueando essa alteração genética, reduzindo o crescimento e a invasão do tumor.
Em um estudo internacional com 331 pacientes, a terapia mostrou resultados expressivos: reduziu em 60% o risco de progressão da doença ou morte, e em 76% a necessidade de iniciar um novo tratamento, quando comparada ao placebo. Trata-se de uma opção inovadora, voltada especificamente para esse tipo de tumor, que é mais frequente em pacientes mais jovens.
Vacinas e terapias celulares
No último Congresso Americano de Oncologia Clínica (ASCO 2025), realizado em Chicago, foram apresentados dados que reforçam o potencial de novas abordagens. Um dos destaques foi uma vacina experimental antitelomerase, voltada para gliomas de alto grau. O estudo mostrou resposta imunológica em 86% dos pacientes, com impacto positivo na sobrevida. Embora ainda esteja em fase de testes, o resultado sinaliza que vacinas direcionadas a antígenos tumorais podem se tornar uma estratégia promissora no futuro.
Outra frente que vem sendo estudada são as terapias celulares, como o CAR-T Cell. Apresentadas também na ASCO, essas pesquisas mostram resultados preliminares considerados encorajadores, indicando que métodos já usados com sucesso em cânceres hematológicos podem ter espaço no tratamento de tumores cerebrais.
Esses avanços indicam que o tratamento dos tumores cerebrais já evoluiu em relação ao passado. Para pacientes e famílias que enfrentam esse diagnóstico, a expectativa é de que, com a chegada de terapias inovadoras — medicamentos-alvo, vacinas e terapias celulares —, as chances de controle da doença continuem a aumentar nos próximos anos./AE
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