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Ceará Notícias > Blog > Política > Cabral pede desculpas à população por uso de caixa 2
Política

Cabral pede desculpas à população por uso de caixa 2

Ultima atualização: 14/12/2017 11:13 PM
Redação
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7 Min. de Leitura
RJ - SÉRGIO-CABRAL - GERAL - O ex Governador Sérgio Cabral e mais dois presos da Lava Jato, chegando ao Tribunal de Justiça Federal na Rua Venezuela no Rio de Janeiro (RJ), nesta quinta-feira (14), para mais um depoimento com o juiz Marcelo Breta, na 7º Vara Criminal. 14/12/2017 - Foto: JOSE LUCENA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/PAGOS
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O ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) pediu desculpas à população nesta quinta-feira, 14, em depoimento ao juiz Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Federal Criminal do Rio, por ter feito uso pessoal de dinheiro de caixa 2 de campanhas eleitorais. Ele voltou a negar cobrança e recebimento de propina de empreiteiras e também disse desconhecer a prática da “taxa de oxigênio”, que seria 1% do valor dos contratos públicos. Cabral alegou ainda que todos que o delatam ganham benefícios da Justiça.

“Foi caixa 2 o tempo inteiro. Dessa expressão ‘taxa de oxigênio’ nunca tive conhecimento, é até sugestiva. Eu não acho a menor graça”, afirmou. “O que me motiva é a realização. Tenho orgulho de dizer que em oito anos de governo fiz mais metrô que os oito governadores anteriores a mim juntos, em 32 anos. Se pegar Faria Lima, Chagas Freitas, Brizola, Moreira Franco, Marcello Alencar, Garotinho e Rosinha, eles fizeram menos. Isso é o que me importa.”

Ele aproveitou a audiência para se dirigir ao povo fluminense. “Peço desculpas à população por ter feito uso de caixa 2, que era uma prática. Agora, propina, não. Eu não pedi. Não sentei com Ricardo Pernambuco (sócio da empreiteira Carioca Engenharia) e disse: ‘vamos fazer uma negociata’. Eu chamei e falei: ‘vamos fazer o metrô’”.

Cabral desqualificou as afirmações, feitas em delação premiada, de seu ex-colaborador Carlos Miranda, apontado como o “homem da mala de dinheiro” do esquema atribuído a ele. “Agora surge um novo delator, Carlos Miranda, condenado a 47 anos de prisão, preso há 13 meses. É um delator, traidor, mentiroso, que nunca participou de nenhuma reunião com qualquer empreiteiro e comigo. Qual é a prova? Todo mundo que fala do Cabral se dá bem, todos que apontam para mim têm benefícios. É muito triste isso. O que me impressiona é que é tudo sem prova”, afirmou, citando os doleiros Marcelo e Renato e Chebar, executivos da joalheria H. Stern e outros envolvidos no processo.

Sem afirmar qual o montante que usou supostamente de caixa 2, ele disse que o fez para ter “uma vida incompatível, muito além dos meus dinheiros lícitos. Eu errei”. “É um processo tão kafkiano, porque eu estou dizendo que é mentira. Ele (Miranda) se posiciona como gerente financeiro de uma organização criminosa. Mas ele era um amarra-cachorro, um mero funcionário meu, que fazia serviços para mim. Basta ele apontar o dedo para mim e dizer que foi propina que ganha o prêmio de delação”, continuou Cabral.

Ele pôs em xeque as alegações de Luiz Carlos Bezerra, outro antigo colaborador – disse que as planilhas apresentadas por ele eram “de bêbado”, afirmando que ele “bebia muito”.

Cabral está preso há um ano pela Lava Jato, acusado dos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O esquema de corrupção que teria sido tocado por ele se estenderia a áreas como obras, transportes e saúde e teria movimentado R$ 1 bilhãoentre os anos de 2007 e 2016. Ele já foi condenado a 72 anos de prisão no Rio e em Curitiba e ainda responde a mais 12 processos. Suas sentenças podem chegar a 300 anos de cadeia.

OLIMPÍADA

O ex-governador negou, no depoimento, que tenha usado a Olimpíada de 2016 para enriquecer, por meio de cobrança de propina de empreiteiras que fizeram obras com vistas aos jogos.

Na audiência, Cabral ressaltou feitos do governo do Rio e a trajetória pública, de deputado a governador. “A sra. me desculpe”, afirmou à procuradora da República Fabiana Schneider, “mas vou dizer o que disse ao príncipe de Mônaco quando o Rio estava se apresentando (como candidato a sediar a Olimpíada). Ele perguntou qual seria o maior legado. Eu disse que teriam grandes legados de mobilidade, residenciais – está aqui o Porto Maravilha -, mas que o maior era para a autoestima do povo brasileiro de poder realizar a Olimpíada.”

O ex-governador do Rio afirmou que não estendeu o metrô para a Barra da Tijuca na esteira das obras da Olimpíada. “É mentira que o metrô andou por causa da Olimpíada porque o metrô não fez parte do caderno de encargos. Nós não aproveitamos a Olimpíada para ganhar dinheiro, mas para a sra. pegar o metrô aqui e saltar lá no Jardim Oceânico. Nós mudamos a lógica da mobilidade urbana.”

Cabral alegou ainda que as afirmações de empreiteiros nos processos contra ele são falsas e que era muito procurado por empresas em época de campanha, estaduais e municipais, por ter bons resultados eleitorais. “Todos os recursos vieram de campanhas eleitorais, nenhum vinculado à realização de obras ou de propina. Há executivos que roubaram suas empresas ao falar em meu nome.”

Num momento descontraído ao fim da audiência, ele disse que, mesmo vascaíno, torceu na cadeia para o Flamengo – time de Bretas – no jogo da decisão da Copa Sul-Americana, porque, assim, ajudaria o Vasco. Cabral disse que pagava salário R$ 70 mil ao ex-assessor Carlos Miranda – embora tenha afirmado que se tratava de um funcionário “amarra cachorro”, sem atribuições de grande relevância no governo do Estado. Miranda declarou que a remuneração era de R$ 150 mil.

“Eu não sei como esse sujeito acorda. Eu sei que era um salário desproporcional, era de caixa dois. Eu assumo que errei ao me apropriar desses recursos. Sei que R$ 70 mil é muito dinheiro em qualquer lugar do mundo. Eu pagava a ele para cuidar dos meus recursos, que ele via que eram altos, de gastos de casa, de campanhas. Mas ele não sabia se eu sentava com fulano para combinar qualquer coisa. Ele é o ‘primo canalha’, casado com minha prima. Fala de maneira absurda, sem nenhuma prova.”

 

(Estadão)

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