Flávio, anunciado recentemente como o candidato do grupo político bolsonarista, declarou que sua decisão é “consciente” e motivada pelo que classificou como um sentimento de injustiça compartilhado por milhões de apoiadores.
“Meu preço é justiça. E não é só justiça comigo; é justiça com quase 60 milhões de brasileiros que foram sequestrados, estão dentro de um cativeiro, nesse momento, junto com o presidente Jair Messias Bolsonaro. Então, óbvio que não tem volta. A minha pré-candidatura à Presidência da República é muito consciente.”
Na entrevista, o senador reforçou que só abriria mão da disputa presidencial caso seu pai, hoje inelegível por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pudesse voltar a participar de eleições e circular livremente pelo país.
“A única forma disso acontecer é se Bolsonaro estiver livre, nas urnas, caminhando com seus netos; filhos de Eduardo Bolsonaro; pelas ruas de todo o Brasil. Esse é meu preço.”
Movimento ocorre em meio à reorganização da direita para 2026
As declarações de Flávio Bolsonaro surgem em um momento de intensa movimentação no campo conservador. Inelegível até 2030, Jair Bolsonaro tem atuado como articulador nos bastidores, indicando Flávio como seu sucessor político imediato.
O anúncio foi recebido como forma de manter o bolsonarismo unido, mas também abriu espaço para tensões internas, especialmente com lideranças como o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que vinham sendo cogitados como alternativas para a disputa presidencial.
Sinalização política e estratégia de mobilização
A fala de Flávio tem dupla função:reforçar sua legitimidade como herdeiro político do pai, atendendo a uma base eleitoral altamente identificada com Jair Bolsonaro; pressionar o Judiciário e fortalecer a narrativa de perseguição, uma das principais bandeiras do bolsonarismo desde a inelegibilidade do ex-presidente.
Ao condicionar sua desistência à reversão das decisões judiciais, Flávio busca manter o nome do pai como centro do debate público, mesmo fora da disputa eleitoral.
(Foto:Wilton Júnior/Estadão)





