Atirador de elite que atingiu homem armado com filha refém recebe homenagem do governo do Ceará

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O atirador de elite da Polícia Militar que disparou contra a mão de um homem armado com a própria filha refém recebeu elogios do Governo do Ceará nesta quinta-feira (29/2). O caso aconteceu na noite de domingo (25/2), em uma farmácia de Fortaleza, quando o suspeito baleou a própria companheira e manteve a criança nos braços por cerca de duas horas, enquanto estava com um revólver.

Em razão do tiro disparado pelo subtenente Mendes, a situação pode ser controlada, com o homem sendo preso e a criança sendo resgatada sem ferimentos. A mulher foi levada ao hospital, mas morreu nesta quarta-feira (28).

O secretário da Segurança Pública do Ceará, Samuel Elânio, assinou portaria para publicação no Diário Oficial do Estado com elogios ao atirador de precisão, por salvar a vida do bebê de um ano e três meses e por seu “alto grau de precisão, coragem e controle emocional”.

“Um trabalho de excelência que salvou uma vida, isso ficará para a história. Quem sabe um dia essa criança terá a honra de conhecer o homem que salvou a vida dela. Meus parabéns, em meu nome e em nome do governador, Elmano de Freitas. É uma honra participar deste momento e poder entregar esse elogio que será publicado”, disse Elânio.

“Somos uma ferramenta, na verdade, a Polícia Militar, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) e o Estado, fizeram o seu papel. Com a ajuda de Deus, conseguimos trazer uma resolução aceitável. Nos bastidores, isso envolve o trabalho de muita gente, que nos permite entregar o nosso melhor. Com todo o treinamento e a logística necessária, conseguimos chegar em uma ocorrência e entregar o nosso máximo. Estamos sempre à disposição da sociedade”, disse o subtenente Mendes.

Treinamento de sniper

O subtenente Mendes, do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) do Comando de Polícia de Choque (CPChoque), faz parte de um seleto grupo de policiais de operações especiais que recebem formação extra para atuar como atiradores de precisão.

Para atuar nestas circunstâncias, o militar precisou fazer um curso específico de Atirador Policial de Precisão. Entenda:

O percurso para um policial se tornar atirador de precisão pode levar até 2 anos, conforme o major Paulo Cézar, comandante do Bope do Ceará.

Isso porque, para participar do Curso de Policial Atirador de Precisão, é obrigatório já ter concluído o Curso de Operações Táticas e o Curso de Operações Especiais.

Somente o Curso de Operações Especiais tem duração de cerca de 18 semanas. Já o Curso de Operações Táticas tem duração entre 45 e 60 dias.

Além disso, o agente que quer fazer o curso de precisão precisa ser integrante da unidade de operações especiais da sua polícia de origem, como o Bope, que é especializado em atender ocorrências com reféns, com explosivos e com pessoas em ideação suicida.

Ao longo da sua atuação na unidade de operações especiais, o candidato precisa ter acumulado experiência comprovada em operações complexas, como as realizadas pelo Bope.

“A partir do momento que ele vai ingressar na unidade especial [como o Bope], ele vai tendo acesso aos atendimento de ocorrência de complexidade com outros policiais mais experientes. Ele vai acompanhando o processo ali junto a outros operadores”, explica o major Paulo Cézar.

Esse longo período necessário para acúmulo de experiência também faz com que o processo para formar um atirador de elite se torne mais longo.

Por fim, além de cumprir os requisitos de carreira, o policial também precisa cumprir certos quesitos de perfil profissional.

“Além dos atributos normais para acessar a unidade especial, como controle emocional, disciplina, lealdade, honradez, além de todos os mandamentos das operações especiais, são profissionais que detém um conhecimento acima da média, controle emocional também acima da média e uma larga experiência em atendimento de ocorrências de alta complexidade”, descreve o major.

Após a seleção dos policiais considerados aptos, o curso de atirador de precisão tem duração de cerca de seis semanas, totalizando 272 horas/aula.

A formação aborda desde matemática, física instrumental e direitos humanos até atendimento pré-hospitalar de combate, gerenciamento de crises, negociação tática, prática de tiro e aulas de balística.

A primeira turma de atiradores de precisão formada no Ceará foi em 2019. Antes, os snipers que atuavam no território cearense faziam o curso em outros estados.

De acordo com o curso, a atuação dos atiradores de precisão deve ser pautada em três passos: observar, proteger e neutralizar. Antes de o atirador de elite disparar, parte da equipe tenta a negociação, enquanto outra parte se prepara para invadir o local onde está o suspeito.

Para o major Paulo Cézar, a atuação do Bope no último domingo, que permitiu o resgate da criança, foi um exemplo de operação exitosa. “Conseguimos resgatar uma criança, atender a senhora que foi lesionada a bala, e conseguimos prender o causador do evento crítico, o agressor”, conclui.

Discussão terminou com mulher baleada e criança refém

Testemunhas relataram que a ocorrência começou por volta das 18h, quando o casal começou a discutir na residência, que fica próxima ao estabelecimento. As negociações, até o rendimento do suspeito, duraram cerca de duas horas.

Durante a briga, a mulher saiu correndo com a filha, mas foi interceptada pelo companheiro, que retirou a criança dos braços da mãe e atirou três vezes em direção à mulher, atingida na cabeça. Em seguida, o homem entrou com o bebê na farmácia e passou a ameaçar a garota.

A Polícia Militar foi acionada e agentes do Bope passaram a negociar para que o suspeito entregasse a criança.

Durante a negociação, um atirador de elite conseguiu atingir a mão do suspeito, que se entregou e a menina foi resgatada em segurança.

Conforme a PM, o suspeito foi socorrido para um hospital e em seguida encaminhado para uma delegacia, onde o procedimento foi registrado./g1

(Foto: reprodução)

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