O presidente Michel Temer está mesmo disposto a se candidatar à própria sucessão. O curioso é que, ao contrário de outros candidatos, que entram no pleito pensando em vencer a eleição, a vitória não é a prioridade de Temer. Ele pode entrar na disputa para, em primeiro lugar, defender o que considera ataques à sua honra: as duas denúncias do ex-procurador-geral Rodrigo Janot arquivadas pela Câmara, a investigação autorizada pelo ministro do STF Luís Roberto Barroso que vasculha as circunstâncias em que ele assinou um decreto sobre os portos e a quebra de seu sigilo bancário também por Barroso.
Participar da eleição, para Temer, não envolve nenhuma perda. Pelo contrário, acredita ele, só resultará em ganhos. Não precisará, por exemplo, deixar a Presidência, pois a Constituição permite que ele dispute a eleição no cargo. Contará com um bom tempo de propaganda na TV e no rádio, mesmo que o MDB não faça coligações, participará dos debates que forem realizados, o que permitirá a ele se defender na hora de qualquer tipo de acusação que for feita. Também estará protegido pela legislação eleitoral por ser candidato. Se houver algum ataque a ele no programa eleitoral de qualquer adversário, poderá requerer na hora o direito de resposta.





