“O clobutinol é uma substância antitussígena não opioide presente em xaropes utilizados, predominantemente, em quadros de tosse seca”, explica Kamila Tolomei, pneumologista do Hospital Alvorada Moema.
A decisão ocorre após a Gerência de Farmacovigilância da agência avaliar que os riscos associados ao uso dos produtos com a substância superam os benefícios, devido ao risco de arritmia grave.
“Pela avaliação, a situação é suficientemente grave para justificar a suspensão dos medicamentos que contenham a substância”, diz o comunicado da Anvisa.
Eduardo Lima, cardiologista do Hospital Nove de Julho e líder da Cardiologia da Rede Américas, detalha que a substância aumenta o risco de arritmia porque provoca uma alteração elétrica no coração. Essa alteração é conhecida como alargamento do intervalo QT no eletrocardiograma.
Quando esse intervalo se prolonga, o coração fica vulnerável a interrupções no ritmo normal. O risco é ainda maior quando o alargamento não ocorre de forma uniforme em todo o órgão, fenômeno que os especialistas chamam de dispersão do QT. Nesse caso, a chance de uma arritmia ventricular grave aumenta.
Esse tipo de arritmia pode causar desmaios, queda de pressão e, em casos extremos, morte súbita. O perigo cresce quando o clobutinol é combinado com outros medicamentos que também alargam o intervalo QT, como certos antibióticos e remédios para náusea. Pacientes com doenças cardíacas preexistentes são os mais vulneráveis.
Kamila reforça que, conforme a orientação da Anvisa, a suspensão do uso deve ocorrer de forma imediata, mas sem necessidade de alarde.
“Caso pacientes que fizeram uso da medicação apresentem vertigem, palpitação, sensação de desmaio ou dor no peito, é importante que procurem um pronto atendimento para avaliação médica adequada”, recomenda.
“É importante ressaltar que a tosse é um sintoma com diferentes causas, inclusive causas não pulmonares. Xaropes são utilizados apenas para amenizar os sintomas, não para tratar a causa. Os pacientes não devem fazer a substituição por outra medicação sem qualquer orientação médica”, acrescenta./AE
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