Antes disso, o barril Brent vinha oscilando entre US$ 105 e US$ 109, sendo que a máxima foi de US$ 109,68 (R$ 582,62), às 5h15. Mas o anúncio feito por volta das 7h fez com que o preço desabasse rapidamente até atingir US$ 91,89.
Às 9h (horário de Brasília), o contrato de junho era negociado a US$ 101,11, uma queda de 4,9% em relação ao fechamento de sexta-feira (20). O petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, repetiu o movimento e atingiu a mínima de US$ 84,59 (R$ 449,34) às 8h. Uma hora depois, ele estava cotado a US$ 92,41 (R$ 490,88), queda de 5,9%.
Trump anunciou a suspensão dos ataques à infraestrutura energética do Irã poucas horas antes de vencer o prazo de 48 horas que havia dado para a reabertura do estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e gás.
“Tenho o prazer de informar que os Estados Unidos e o Irã tiveram, ao longo dos dois últimos dias, boas e produtivas conversas acerca da resolução total de nossas hostilidades no Oriente Médio”, afirmou o americano, relatando conversas até aqui desconhecidas.
Chamando os contatos de “produtivos e detalhados”, ele determinou a trégua específica dos ataques que não haviam começado. Ele havia ameaçado usinas de energia do Irã a partir do fim do prazo, às 20h13 desta segunda, no horário de Brasília. Por sua vez, o regime iraniano respondeu que revidaria com ofensivas a sistemas de energia e água de países vizinhos do Golfo se os EUA cumprissem a promessa.
Mas o anúncio de Trump não deixou claro que o tráfego no estreito de Hormuz será liberado pelos iranianos, que só permitiam que navios aliados ao regime transitassem pelo local.
A instabilidade na região que causou a interrupção no fornecimento do petróleo que passa por Hormuz levou o preço do petróleo a alcançar US$ 119,46 em 9 de março, a maior cifra desde 29 de junho de 2022.
BOLSA DE XANGAI TEM PIOR DIA EM 11 MESES
Até o anúncio de Trump, a possibilidade de ataques iranianos aos sistemas de energia e água de países vizinhos mantinha os preços do petróleo próximo à casa dos US$ 110 e também fez com que as Bolsas da Ásia fechassem em forte queda com destaque para Xangai, que desabou 3,63%, a maior desvalorização em um dia desde abril do ano passado, quando Trump anunciou as tarifas de importação sobre o mundo todo.
O índice CSI300, que reúne as companhias listadas em Xangai e Shenzhen, perdeu 3,26%. Seul teve a queda mais acentuada entre os principais mercados asiáticos, com desvalorização de 6,49%. Tóquio retrocedeu 3,48%.
O movimento era repetido nas primeiras horas na Europa, com a maioria das Bolsas caindo mais de 2%. Mas, após o anúncio de Trump, houve uma mudança e os índices passaram a subir. Referência na União Europeia, o Euro STOXX 600 tinha alta de 1,5%, às 8h45, em tendência seguida em Frankfurt (1,43%), Londres (0,02%), Paris (1,05%), Madri (1,07%) e Milão (1,01%).
Segundo a Reuters, embora os ataques à eletricidade prejudiquem o Irã, os países vizinhos tenderiam a sentir ainda mais o dano, pois eles consomem cerca de cinco vezes mais energia per capita.
Especificamente no caso de Bahrein e Qatar, a eletricidade é utilizada principalmente para alimentar as usinas de dessalinização que produzem 100% da água consumida localmente. Essas usinas utilizam água do mar para suprir mais de 80% das necessidades de água potável nos Emirados Árabes Unidos e 50% do abastecimento de água na Arábia Saudita.
O bloqueio parcial do estreito de Hormuz causou a pior crise do petróleo desde a década de 1970. Os preços do gás na Europa subiram 35% na semana passada.
A AIE (Agência Internacional de Energia) está pedindo que as pessoas reduzam a demanda por petróleo trabalhando mais de casa, voando menos e dirigindo mais devagar, enquanto a guerra abala os mercados globais de energia.
A organização afirma que essas medidas, juntamente com ações como compartilhar carros e usar fogões elétricos, são necessárias para ajudar com a “maior interrupção de fornecimento da história do mercado de petróleo”.
O presidente-executivo da Saudi Aramco, Amin Nasser, ainbda avalia desistir de sua participação em uma importante conferência de energia em Houston (EUA), marcada para acontecer na terça-feira (24).
Fontes relataram à Bloomberg que a prioridade de Nasser é lidar com a situação no Oriente Médio. O comunicado oficial ainda não foi divulgado pelo executivo.
Maior produtora de petróleo do mundo, a Aramco teve que redirecionar grande parte de seu petróleo bruto depois que a guerra praticamente fechou o estreito de Hormuz para a maior parte do tráfego de petroleiros. Ativos da empresa foram alvo de ataques aéreos iranianos.
Nasser já havia alertado no início do mês que o impacto nos mercados globais de petróleo será “catastrófico” quanto maior for a extensão da guerra na região./Folha SP
(Foto: Reprodução)





