Por Reginaldo Silva- Professor, Radialista e Jornalista

Quando Izolda Cela (PDT) assumiu o Governo do Estado, Ciro Gomes (PDT) esteve presente para celebrar aquele momento histórico da primeira mulher a chegar ao comando do Executivo no Ceará.
A posse de Izolda foi muito significativa para politica do Estado, também era muito significativa para Ciro, que em eleições anteriores foi taxado de machista por declarações dadas a imprensa sobre o papel de sua mulher na campanha, na época, ele teria dito que o “papel principal” da atriz Patrícia Pillar era “dormir com ele”. Posteriormente, ele chegou a reconhecer que aquela declaração “foi uma piada de muito mau gosto”.
Abortar a candidatura de Izolda é mais que uma piada de mau gosto, é uma contradição histórica com o movimento que tornou o Ceará conhecido como Terra da Luz, pioneiro no abolicionismo do país, tornando o Ceará o precursor da Abolição no Brasil, quatro anos antes da Lei Áurea.
Izolda é a prova viva para as gerações futuras de que uma professora ascendeu ao posto máximo do Poder Executivo do Estado, é a mais firme comprovação do empoderamento feminino, da evolução da consciência coletiva e a legitimação de que a Terra da Luz continua avançando nas ações libertadoras.
O PDT deve escolher o nome para representar a sigla na disputa do Palácio da Abolição nesta segunda-feira, 18 de julho, em reunião do diretório, após divulgação de pesquisa encomendada pelo partido, como os dois pontos centrais e norteadores para definição da candidatura da legenda no Ceará.
O fato mais novo neste processo de definição do nome do PDT, surgiu nesta segunda-feira, em informação publicada pelo colunista Inácio Aguiar de que o prefeito de Sobral, Ivo Gomes, deixou claro sua preferência pelo nome de Izolda, assim como o senador Cid Gomes também teria dito a Ivo comungar da mesma opinião.
São muitas as questões que envolvem a escolha de um nome para uma disputa eleitoral. Existem diferentes nuances, às que envolvem a escolha deste ano no Ceará, em ambiente eleitoral polarizado e conturbado, torna o evento ainda mais complicado.
Todavia, independentemente dos critérios e nuances envolvidos neste processo de escolha, abortar a candidatura de Izolda poderia passar para sociedade a personificação de um partido machista, imagem contraditória ao que expressa a sociedade cearense desde a ação libertadora de Chico da Matilde.





