/A sina do Palmeiras na Libertadores e, consequentemente, no Mundial da Fifa

A sina do Palmeiras na Libertadores e, consequentemente, no Mundial da Fifa

O fardo de ser eliminado na Libertadores da América não é somente deste elenco que fracassou diante do Grêmio no Pacaembu após ter o jogo nas mãos, o resultado no bolso e a certeza de sua torcida de que tudo daria certo. Afinal, a vantagem que se fez não no primeiro duelo em Porto Alegre, mas no gol de Luiz Adriano no Pacaembu era tremenda para uma equipe apontada como uma das favoritas a ganhar tudo na temporada.

O Palmeiras carrega a sina de fracassar nos momentos decisivos, e não é de hoje. Os jogadores se escondem, como Scarpa e alguns outros de quem se esperava mais. A perna treme, como a de Deyverson, que entrou sem saber onde estava e o que fazer em campo. Mas a culpa não é somente dele. É de Felipão também, que apostou errado num jogador que todos já sabiam que não viraria nada. O treinador, mesmo com tanta experiência, se deixou seduzir por alguns gols do atacante e seu jeito despirocado de ser. Estendeu a mão achando que teria algo útil em troca. Não teve. A apresentação de Deyverson foi o retrato desse Palmeiras que fracassa. Há outros Deyversons no elenco. E ele não pode ser o único responsabilizado.

Essa autoconfiança que o Palmeiras passou a ter ajuda a explicar sua condição. Tudo parece imaturo na Academia. Tudo parece pouco profissional. Os treinos são escondidos, fechados, ninguém sabe ao certo o que se faz neles. O torcedor tem o direito de saber, mas é ignorado solenemente. A mídia fica fora sempre, como se isso fosse ganhar jogos. É muito autoritarismo num ambiente que deveria ser mais popular e transparente, afinal, é futebol. E o presidente aceita calado. É refém da falta de informação ou de uma propensa modernidade. Ou está na turma. Vira as costas ao torcedor, o maior patrimônio do time. O torcedor que lota estádio e dá prestígio a jogadores e técnicos.

O palmeirense anda anestesiado. Vê com orgulho o dinheiro que o clube tem, mas começa a desconfiar de sua boa utilização. Não jogar no Allianz Parque também é um problema. Talvez os shows devessem ocorrer mais no primeiro semestre. É preciso ter um trabalho de inteligência para combinar os calendários. Mas isso não explica a derrota e a eliminação. O emocional explica. Os jogadores do Palmeiras são abalados emocionalmente na hora de decidir. Todos eles. Weverton falhou nos gols. Dudu desapareceu. Felipe Melo estava em outro lugar. A defesa é estabanada nas grandes partidas. O Palmeiras carrega sua sina do Mundial. Da piada renovada anualmente. O fato de sobrar dinheiro aumenta a arrogância. Ordens são dadas pelos diretores de futebol sem contestamento. O rico Palmeiras se apequena nessas coisinhas, nos relacionamentos, na ruptura com o passado. No desdém a todos.

Só há um caminho para acabar com essa sina e virar a página: participar dos campeonatos importantes e tentar ganhá-los a cada ano./AE

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