A direita quer anistia aos presos pelos ataques de 8 de janeiro e defende Bolsonaro como único nome para disputar a eleição presidencial em 2026

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Principal evento anual da direita brasileira, a Cpac, encerrada neste domingo (7/7) em Balneário Camboriú (SC), teve como maior saldo político o reforço da estratégia dos bolsonaristas de enfrentar o Poder Judiciário.

Dentre os pontos mais defendidos no evento estão: o perdão aos presos pelos ataques de 8 de janeiro de 2023 na praça dos Três Poderes e, sobretudo, a anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), para que possa concorrer à Presidência daqui a dois anos.

O próprio Bolsonaro, em uma de suas falas no evento, se mostrou confiante em reverter a inelegibilidade decidida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apostando na mudança de composição da corte.

O evento mostrou claramente uma sucessão de juras de fidelidade a Bolsonaro, renovando por pelo menos mais dois anos sua posição de figura indiscutível da direita brasileira. A única a mencionar a possibilidade, ainda que de leve, de ele passar o bastão foi sua mulher, Michelle.

“Diferente da esquerda, você não é egoísta, você está aqui para criar novas lideranças”, afirmou, dirigindo-se ao marido.

A estratégia do campo bolsonarista, segundo lideranças presentes no evento, é ir construindo capital político passo a passo. Primeiro, com um resultado expressivo na eleição municipal de outubro, conquistando um número de prefeituras maior do que o lulismo. Em seguida, tentando costurar algum acordo com os candidatos a presidente da Câmara e do Senado para incluir a anistia na pauta das Casas em troca de apoio.

A estratégia é apostar na mudança do ambiente político para pressionar o Judiciário a ter decisões mais favoráveis ao ex-presidente, usando o que aconteceu com o hoje presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como parâmetro.

“Se o STF tirou o Lula, que é ladrão, da cadeia e o colocou na Presidência, por que não pode haver uma decisão que beneficie Bolsonaro, que não é ladrão?”, disse o deputado federal Osmar Terra (MDB-RS), ex-ministro de Bolsonaro.

O evento também demonstrou que a direita pretende invadir o Senado com representes do campo conservador para pressionar ministros a votarem de acordo com a maioria do legislativo, ficando sempre na mira do Senado, uma vez que ficam expostos a maioria em caso de impeachment./FSP

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