Por Reginaldo Silva- Professor, Radialista e Jornalista

Na Arte da Guerra, Sun Tzu, esclarecia que o verdadeiro motivo da guerra é a paz. Não vamos nos ater ao período beligerante do PDT no Ceará. Com o anúncio desta sexta de transmissão da presidência Regional da legenda e com a confirmação do apoio para a futura eleição da Executiva estadual, feito em conjunto pelo senador Cid Gomes e o deputado federal André Figueiredo, a paz foi chancelada.
No anúncio, André demonstrou confiança no senador Cid Gomes para conduzir o partido até dezembro, mas, não conseguiu esconder a ansiedade de repassar a mensagem do dia, ou seja, de que ele teria o apoio do senador para presidência do partido na eleição da nova Executiva que tomará posse em janeiro de 2024.
No anúncio de Cid Gomes ele demonstrou que realmente nunca esteve interessado em ser presidente do partido, o real objetivo do senador, embora não apareça em sua fala, é manter o nome da família longe de conflitos públicos, manter o respeito do irmão Ciro Gomes, a quem é grato pelo encaminhamento da vida pública e evitar que amigos; prefeitos, ex-prefeitos, vice-prefeitos e aliados que caminharam juntos ao longo de anos na política, debandassem em um efeito manada do partido no Ceará.
O grupo de Ciro, André, Roberto Cláudio e Sarto, estão focados na eleição de Fortaleza, porque sabem o tamanho da montanha que terão que subir pela frente. Cid olha para o Ceará inteiro e entende que o interior não pode ser jogado a própria sorte.
Na fala do senador dois pontos são esclarecedores. Ele chama os conflitos de “visões diferentes” e diz que era preciso “tranquilizar os filiados”, sobretudo, aqueles que irão entrar em uma disputa eleitoral direta no ano que vem.
Cid é conhecedor de que não existe janelas para prefeitos, estes poderiam deixar a legenda a qualquer momento diante do quadro de incertezas, principalmente, para aqueles que disseram não para Roberto Cláudio e apoiaram Elmano no pleito passado.
A meu juízo, parafraseando o próprio senador Cid Gomes, ele deve ter dito em algum momento de sua fala: pois bem, vocês cuidam de Fortaleza, mas, deixe-me percorrer o Ceará para salvar o que ainda nos resta de partido, depois dessa desordem causada pela última eleição.
Cid mais uma vez faz uma leitura coerente e antenada com o momento político atual. É preciso compor com o que determina a visão nacional da legenda dentro do campo ideológico, depois com aqueles que sempre foram parceiros históricos, observando suas forças e suas fraquezas, mas buscando um campo de pensamento convergente entre a nacional e a estadual.
Quando Cid cita alguns partidos que podem se alinhar dentro desse campo ideológico nacional, André puxa por partidos que tem inclinação para se compor com a base do PDT na capital.
Assim, o partido segue “pacificado”, com “visões diferentes” e um futuro ainda incerto. É imperioso que o PDT aprenda até 2024, outra lição de Sun Tzu: “quando iniciar um incêndio, esteja em favor do vento”.





