O salto da obesidade é o que mais impressiona. Em 2022, 9% da população com idade entre 18 e 24 anos tinha IMC (Índice de Massa Corporal) igual ou maior que 30 kg/cm², o que configura obesidade. Já em 2023 esse percentual subiu para 17,1%. Ou seja, um salto de 90%.
Quase um terço desses jovens (31,6%) também já recebeu diagnóstico médico de ansiedade e relata consumo abusivo de álcool (32,6%) nos 30 dias antes da entrevista —quatro doses ou mais para mulheres, e cinco doses ou mais para homens, em uma mesma ocasião. Em 2022, a prevalência foi de 25,8%.
Os números constam da segunda edição do Covitel 2023 (Inquérito Telefônico de Fatores de Risco para Doenças Crônicas Não Transmissíveis em Tempos de Pandemia), desenvolvido pela Vital Strategies, organização global de saúde pública, e pela UFPel (Universidade Federal de Pelotas), com financiamento da Umane e apoio da Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva).
“O Covitel vem logo depois da pandemia para lembrar problemas de saúde do Brasil que não são agudos, mas que são urgentes. O problema da obesidade, da inatividade física, existem há anos, mas também são urgentes. Esse aumento nos jovens é apavorante”, diz Pedro Hallal, professor da UFPel e um dos coordenadores do Covitel.
O professor também afirma que o índice alto de ansiedade entre os mais jovens pode ser um fator que explique o crescimento de obesidade nessa faixa etária.
“A ansiedade está relacionada com o aumento de consumo alimentar […] então aumenta muito o risco de obesidade.” Ele também menciona a perda de renda da população brasileira, o que amplia o consumo de comidas inadequadas e, consequentemente, incrementa as chances de alguém ter obesidade.
Para Luciana Sardinha, gerente sênior de DCNT da Vital Strategies e também coordenadora do inquérito, o aumento da prevalência da obesidade entre os jovens pode ser efeito do período da pandemia de Covid-19, caracterizado por sedentarismo, consumo de alimentos não saudáveis e isolamento social, mas também é reflexo da falta de políticas públicas voltadas a esse público.
“Tem um gap. Temos uma agenda para crescimento e desenvolvimento de crianças de zero a cinco anos. Depois tem alguma coisa para os adolescentes, mas falta política pública para esse público que está entrando na faculdade, começando no mercado de trabalho.”
A saúde mental também vai mal. Quase um terço dos jovens (31,6%), o que representa 5,5 milhões, já teve diagnóstico médico de ansiedade. Outros 14,1% (2,4 milhões), de depressão.





