Reginaldo Silva- Professor, Radialista e Jornalista

O poema “No Meio do Caminho” é uma das obras-primas de autoria do escritor brasileiro Carlos Drummond de Andrade. “No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”. Os versos de Drummond retratam perfeitamente o momento político do Brasil, quase 100 anos depois da publicação do autor na Revista Antropofagia.
Bolsonaro fez tudo certo, ganhou as eleições e logo nos primeiros dias de governo, dava sinais dúbios em relação a democracia do País. A frase mais comum do ex-presidente durante seu primeiro mandato era anunciar em tom solene “eu jogo dentro das quatro linhas”, uma expressão futebolística para afirmar que se aceita as regras do jogo, no caso dele, de que aceitaria o que estava escrito na Constituição da República do Brasil.
A exemplo do que aconteceu na Alemanha, Itália, Chile, Peru, Venezuela e Hungria, líderes populistas chegaram ao poder devido ao alto desgaste da classe política, da falta de credibilidade das instituições e da grande falta de crédito dos partidos políticos. Essas circunstâncias são um caminho perfeito para instalação de ditaduras.
No livro “Como Morrem as Democracias”, um Best Seller do New York times, de autoria Levitsky e Ziblatt, eles enumeram quatro comportamentos de líderes populistas com sede de poder e comportamentos autoritários: rejeição das regras democráticas, negação da legitimidade dos oponentes políticos, tolerância ou encorajamento a violência e constantes ataque a mídia.
O ex-presidente vinha atacando a mídia, o Poder Judiciário e montou uma estratégia perfeita, através do “Orçamento Secreto”, para consolidar uma maior bancada na Câmara e no Senado, daí era fácil jogar dentro das quatro linhas, aprovando leis que fortalecesse ainda o mais o seu poder, assim com fez Órban na Hungria, inclusive, aumentando o número de membros da Corte, mudando as regras de nomeações, para poder indicar os novos magistrados alinhados ao seu pensamento ideológico.
Moraes foi a pedra no caminho, ao garantir que as regras do jogo fossem jogadas realmente dentro das quatro linhas, combatendo as “Fake News”, o grande mal da contemporaneidade, e zelando pela transparência do pleito eleitoral. O resultado, todos já sabem.
Muitos dos bolsonaristas presos hoje por invasão a sede dos Três Poderes, são vítimas da produção em série de mentiras que recebem em escala industrial diariamente e as aceitam como verdades absolutas.
Para os bolsonaristas, Moraes foi a pedra no caminho, para outros, foi o responsável pela retomada do caminho da democracia.
O Brasil segue dividido, com um longo caminho pela frente, em busca de reencontrar o caminho certo.






