O Jornalista e repórter da Sucursal de Brasília, da Folha, Bruno Boghossian é mestre em ciência política pela Universidade Columbia (EUA). Ele faz uma brilhante análise sobre o papel das Forças de Segurança do país. Em seu artigo, ele analisa que componentes das Forças de Segurança podem até ter liberdade de suas preferências políticas, agora, da guarida e abrir a guarda para atos de vandalismo e destruição, não devem ser tratados como atos de liberdade de escolha, e sim, como atos criminosos. Acabar com essa leniência das tropas se tornou uma necessidade.
Confira o artigo na íntegra:

“É provável que nenhum policial bolsonarista tenha deixado de ser bolsonarista desde o último domingo. Mas o custo de sorrir para selfies com criminosos e tomar água de coco enquanto golpistas tentam derrubar o governo ficou mais alto.
As ordens de prisão contra o ex-comandante da PM e o ex-secretário de Segurança do Distrito Federal foram um recado para forças de segurança de todo o país. A decisão de Alexandre de Moraes, na prática, determina que agentes públicos não podem conceder porteira aberta para atos antidemocráticos e oferecer suas tropas para escoltar golpistas.
A colaboração da polícia da capital foi uma das principais marcas dos ataques de domingo. Somada ao apagão de inteligência do governo Lula e à boa vontade das tropas, a omissão das autoridades locais permitiu que os golpistas ocupassem com tranquilidade e destruíssem as sedes dos três Poderes.
A bolsonarização desembaraçada das PMs e de outras polícias é uma herança dos últimos quatro anos. Em Brasília, manifestantes tratavam as tropas como aliadas e se orgulhavam do fato de que os agentes facilitavam o caminho dos invasores.
A decisão do STF tem o objetivo de quebrar essa omissão com um apelo à hierarquia. Muitos policiais devem continuar alinhados a Jair Bolsonaro, mas a tolerância deveria ser interditada nas cadeias de comando, com ordens claras para combater esses criminosos.
Punir chefes de segurança que se comportam de maneira contrária é condição para restabelecer a ordem, mas sem espaço para excessos. As prisões só devem durar enquanto forem necessárias para investigar a responsabilidade de cada personagem, até que eles sejam julgados.”





