Por Reginaldo Silva- Professor, Radialista e Jornalista

O especialista em comportamento eleitoral e marketing político, Antônio Lavareda, diz que o mais importante neste momento político sobre pesquisa eleitoral, são os indicadores dos números das pesquisas no quesito espontânea, ou seja, quando o nome do candidato não é mencionado e o eleitor manifesta espontaneamente seu desejo de voto.
Para ele, o eleitorado vai assistindo os programas eleitorais, os movimentos de rua, as declarações dadas pelos candidatos, os apoios e suas propostas para definir o voto. Essa compilação de informações vai gerar o resultado da urna no próximo dia 2 de outubro.
A última pesquisa do Ipec para o Governo do Ceará, fez um recorte sobre os números e o desempenho dos candidatos na Capital e interior. É sobre esse recorte que lançamos nosso olhar.
Os indicadores da pesquisa espontânea do Ipec apontam que parte significativa do eleitorado tem pouco conhecimento ou ainda não decidiu seu voto.
Vamos aos números dos principais candidatos na Capital e interior. Capitão Wagner aparece com 19% das intenções de voto na Capital e 13% no interior. Roberto Cláudio aparece com 17% na Capital e 6% no restante do Estado. Já Elmano tem 13% em Fortaleza e 9% nos demais municípios cearenses.
Nesse cenário, brancos e nulos são 8% na Grande Fortaleza e 5% no Interior. Não sabem ou não responderam: 38% na Capital e 58% no interior.
Considerando a margem de erro de 3 pontos percentuais para mais ou para menos, os candidatos estão muito próximos um do outro, ressaltando que o número de pessoas que não sabem ou não responderam é capaz de levar qualquer um dos candidatos ao segundo turno, tornando o quadro eleitoral no Estado ainda muito indefinido.
Outros dois dados também merecem destaque; os apoios que não são colocados na pesquisa e o peso eleitoral do interior que ainda não tem se manifestado para nenhum dos candidatos, mantendo um certo equilíbrio de forças.
Wagner não declara abertamente o apoio a Bolsonaro (PL), Roberto Cláudio o faz de forma tímida em relação a Ciro Gomes (PDT), já Elmano, explora muito as imagens de Camilo (PT) e Lula (PT), que também não tem se materializado nos números, sobretudo, no interior, onde grande parte dos prefeitos apoiam Elmano por conta da força e articulação política de Camilo.
O equilíbrio político tem se mantido até esse momento da campanha, talvez os programas eleitorais no Rádio e na TV ainda não tenham atraído a atenção do grande público, ou por falta de interesse ou por falta da mobilização de prefeitos e lideranças, principalmente no interior, onde as campanhas de rua ainda não tomaram corpo.
No Ceará, o campo continua aberto e cada candidato ainda tem uma verdadeira avenida pela frente, as estratégias montadas até agora, certamente não foram capazes de mobilizar e criar definições no grande eleitorado.
Enquanto as campanhas não conseguirem despertar o coração e a emoção das pessoas, o eleitorado vai deixando essa decisão para os últimos minutos do segundo tempo e quem sabe possa agir com mais razão.





