Por Reginaldo Silva- Professor, Radialista e Jornalista

Em 2019 tive a alegria de participar de um evento alusivo aos 30 anos da promulgação da Constituição Estadual na Assembleia Legislativa do Ceará. Os debatedores eram o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) e o ex-governador Ciro Gomes, hoje candidato á Presidência da República pelo PDT.
Na oportunidade, Ciro falou dos vários projetos que deveriam ser implantados no Brasil, como forma de tirá-lo da crise fazendo fortes críticas modelo de gestão do presidente Bolsonaro (PL). Naquele dia, me chamou à atenção a fala de Tasso, quando questionado sobre os pontos abordados por Ciro, ele disse: “eu já tenho tenho tantas certezas”.
Tasso e Ciro foram os fundadores do projeto “mudancista” no Ceará. Lideraram um movimento contra os governos dos “coronéis”, com a presença de novos atores políticos de esquerda, movimentos sociais e intelectuais, que deram respaldo aos “jovens empresários”. O início das mudanças começou com o primeiro governo Tasso com às eleições de 1986.
Com forte discurso de combate ao clientelismo e a miséria propondo uma novo modelo de governança, Tasso inicia um novo ciclo da política cearense. No contra ponto ao discurso da nova política mudancista, surgia às cobranças do coronel Adalto Bezerra com às palavras de ordem “lealdade” e “gratidão”, situação que traz semelhanças com a política do momento.
O impacto no primeiro governo Tasso foi grande. Contam os jornais da época, que o governo recebia poucas pessoas, esnobava solenidades, trabalhava à noite, não lia jornais, não respondia às críticas e de certa forma olhava a sociedade por cima dos ombros.
O novo modelo de governança também trouxe grandes resultados para área da saúde, reduzindo drasticamente a mortalidade infantil com a criação do Programa das Agentes de Saúde, rendendo inclusive prêmio internacional do Unicef.
Os resultados na área educacional viriam somente nos governos de Cid (PT) e Camilo (PT), nos governos Tasso e Ciro, foram registrados muitos conflitos com professores, que não se sentiam valorizados e estimulados, havendo uma verdadeira revolução nos governos posteriores.
Ciro e Tasso também passaram um tempo afastados, depois da histórica eleição que acabaria elegendo Eunício (MDB) e Pimentel (PT) para o Senado, deixando o senador tucano de fora na eleição de 2010. Naquele período, Tasso chegou a dizer que não iria mais disputar eleições. “Vou cuidar dos meus netos. Levar uma vida tranquila”.
Doze anos depois, Tasso continua na política. Ele que sempre defendeu a renovação foi buscar no grupo do Centro Industrial do Ceará (CIC) da década de 1980, o empresário Amarílio Macêdo para disputar uma vaga ao Senado, com o objetivo de fazer frente ao líder das pesquisas, o ex-governador Camilo Santana, na chapa majoritária ao lado de Roberto Cláudio e Domingos Filho para o Governo do Estado em 2022.
Com o rompimento entre PDT e PT no Ceará depois de 16 anos de aliança, Ciro e Tasso voltam a se unir para evitar que um grupo opositor chegue ao comando do Palácio da Abolição e coloque em cheque o fim da era mudancista.
Tasso e Ciro depois de uma carreira política lograda de êxito no Ceará e conquista um grande espaço na esfera nacional, estão novamente diante de um grande desafio, ou renovam o ciclo com Roberto Cláudio ou encerram juntos a era do “Governo das Mudanças”, tornando-se “os coronéis” da década de 2020.





