Por Reginaldo Silva- Professor, Radialista e Jornalista

O presidenciável Ciro Gomes (PDT), era o nome mais aguardado na Convenção do partido. O clima era favorável a ele, afinal, ali estava o palanque puro que ele sempre sonhou, porém, dividido e com ausências que marcaram a convenção do PDT neste domingo, como a do senador Cid Gomes e da governadora Izolda Cela, ambos pedetistas.
Na convenção do PDT ficou patente que a maior liderança do Ceará é sem dúvida nenhuma o senador Cid Gomes, ele tem o respeito e admiração dos dois grupos que estão rachando e foi citado por Ciro, Roberto Cláudio e Domingos Filho como um exemplo de gestão e de liderança.
Ciro lembrou sua trajetória política desde que foi prefeito de Fortaleza, da sua amizade com o senador Tasso Jereissati (PSDB) e dos momentos decisivos que passou ao longo da carreira política para chegar a governador, ministro e candidato à presidência da República.
Ciro Gomes disse que esse momento que a política cearense vive é um dos mais importantes da história, se não, o mais importante, dado a “ameaça” que a política do Ceará vive com o principal líder da oposição liderando as pesquisas no Estado.
Para Ciro, a maioria das lideranças ainda não entenderam que essa “ameaça” não se trata de vaidade ou de arrogância, essa “ameaça” é real e coloca em risco o projeto de desenvolvimento do Ceará, segundo ele, liderado por um bolsonarista e líder de motim no Estado, referindo-se a capitão Wagner sem citar o nome.
Ciro disse ainda que a questão não é de vaidade política ou familiar, trata-se de uma questão de humildade das lideranças colocarem a mão na consciência e perceberem que o projeto exitoso do Estado, construído às duras penas, está ameaçado. Neste momento Ciro também aproveita para jogar indiretas para Camilo, ao pedir que lideranças baixem a crista, coloquem os pés no chão e calcem as sandálias da humildade. O candidato a presidente, voltou a tocar na questão de que lideranças podem estar se desertando por ofertas de cargos, em mais uma referência indireta a Camilo.
Ciro falou muito de humildade, parece ter sentido o golpe da divisão política no Estado, evitou ataques diretos a Lula (PT), mas não poupou o ex-senador Eunício Oliveira (MDB) com palavras do seu vocabulário que já são conhecidas por todos. Por mais de uma vez, Ciro disse que não estava pedindo nem para ele, mas para que as lideranças não deixassem “essa ameaça se tornar real na última ilha séria e progressista do Brasil”, o Ceará.
Ciro citou ainda que a escolha de Roberto Cláudio foi dentro dos critérios que sempre defendeu e acreditou, baseada em pesquisas e que seu “patrão” sempre foi o povo do Ceará.
Na convenção de hoje do PDT, notou-se um clima tenso no ar, com muitos olhares e vibrações contidas, como se aguardassem a entrada de alguém na quadra do Farias Brito.
É inegável que Ciro construiu todo esse patrimônio político da família Ferreira Gomes. Como líder, continua fazendo o que tem que ser feito, a exemplo de Moisés, levanta o cajado e procura guiar seu povo pelo deserto, contudo, é preciso entender, que outros profetas surgem para seguir a missão. A liderança de Camilo hoje é inquestionável no Estado, assim como também ficou provado na convenção deste domingo que Cid é o líder dos líderes, mesmo em silêncio, sua mensagem ecoa para todos os lados.





