
Não há dúvidas que a imagem é fundamental na corrida eleitoral, uma construção de uma boa imagem pública pode ser crucial na eleição. Quando falo em construção de imagem falo daquilo que, no marketing, identificamos como branding, que é, levando para o marketing político, nada mais do que a construção de uma marca que vai ficar em evidência antes, durante e depois da corrida eleitoral. Pode parecer inusitado, mas a forma como o candidato a um cargo eletivo se veste é muito importante. Alguns candidatos com quem trabalhei me perguntaram como deveriam se vestir, a resposta foi simples, o político nunca deve estar extremamente bem vestido para não ficar longe demais da população e nem tão mal vestido a ponto de causar uma má impressão nos eleitores. Uma camisa simples de cor clara, calça jeans com sapato ou tênis (dependendo da ocasião), um figurino básico, essencial e clássico que pode dizer muito sobre o candidato. Nada de óculos escuros, boné, relógios excêntricos ou joias exuberantes. O eleitor gosta de ver gente bem vestida. Lembrando sempre que idade é diferente de estilo, desleixo é diferente de simplicidade e bom gosto é diferente de ostentação.
Com o passar do tempo a camisa de tonalidade clara ou branca tem sido usada de maneira frequente por candidatos ou pessoas que detém cargo público. É comum ver políticos usando camisa simples de cor clara, a exemplo do Governador do Ceará Camilo Santana, que rotineiramente aparece em inaugurações, lives ou eventos públicos usando uma camisa básica manga-longa. Isto, caro leitor, tem um sentido.
O significado da palavra “candidato” vem do latim “candidatos”, que segundo a etimologia é derivado do adjetivo “candidus”, que significa: “branco, alvo, cândido; vestido de branco; radioso, brilhante; belo, formoso…”. Na Roma antiga os aspirantes a qualquer cargo público se apresentavam diante dos eleitores com roupas brancas, como se quisessem mostrar leveza, pureza, limpidez e transparência, esse recurso histórico tem se mostrado assertivo nos dias de hoje.
Para a construção de uma boa imagem pública o candidato deve seguir quatro passos simples: organização, linguagem, imagem e empatia. O primeiro, a organização, engloba um aspecto muito importante para uma campanha, com a boa administração dos horários, agendas, arquivos, etc, é a parte inicial de toda campanha, é o planejamento. O segundo, a linguagem, é a forma como o candidato se expressa, é o que ele vai usar para convencer e merecer o voto. Parafraseando o grande “guru” do Marketing Político, Duda Mendonça, “o conteúdo se divide em três itens: o argumento, a capacidade de convencimento e a busca de admiração.” Um candidato deve ter simplicidade ao falar, falar de maneira clara e objetiva além de ter um “time” de adaptabilidade. Exemplo: A forma de falar em um comício para uma massa de pessoas é diferente ao falar em um local mais reservado, como também é diferente para uma entrevista no rádio que por sua vez é diferente da oratória para um vídeo a ser publicado em plataformas digitais. A linguagem é muito importante e, ter um bom argumento também, pois é uma estratégia de persuasão e convencimento.
O terceiro item é a imagem. Algo deve ficar claro, nem toda comunicação precisa ser necessariamente falada, é a chamada linguagem não verbal. Sendo assim, a imagem é aquilo que no marketing político é essencial, é o tema do nosso artigo, engloba principalmente o código de vestimenta do candidato, a forma que ele se apresenta para o eleitor, construindo sua reputação. Você deve estar se perguntando: Qual é a imagem de sucesso de um candidato? Neste campo da construção da imagem política nós temos três “definições” de imagem. A primeira, é a autoimagem, que é como o candidato se percebe, seguido da imagem de como as pessoas percebem o candidato e, por último, são os objetivos de imagem, que é basicamente como o candidato quer ser visto, o que o político quer passar para o eleitor através da sua imagem. Especialistas na área reiteram que o cérebro leva em torno de 07 segundos para “ler” o candidato, e essa leitura é feita de forma inconsciente baseado em arquétipos e estereótipos construídos ao longo do tempo principalmente com base na cultura e na história. Por exemplo, para uma candidata, uma estratégia positiva para a imagem de campanha é usar um blazer, pois, na leitura que é feita de forma inconsciente pelo cérebro, o blazer traz uma imagem no inconsciente coletivo de competência e força. Essa imagem é acessada pelo cérebro de forma automática, não racional. A imagem abaixo ilustra esse conceito, nela vemos uma representação da Primeira Ministra britânica Margaret Thather, interpretada pela atriz Meryl Streep no filme a Dama de Ferro. Observe a postura, a forma como ela aponta o dedo em posição de comando, a vestimenta, o brinco discreto, o cabelo curto e a maquiagem. Nos primeiros segundo você já começa a fazer essa leitura.

O quarto e último item refere-se a empatia. Confesso que esse é o mais difícil de se equalizar em um candidato. Sim, pois um candidato não se muda, se “equaliza”. A empatia nada mais é como a forma que um candidato é percebido diretamente pelo eleitor, é a primeira experiência, e faz diferença. Atitudes simples do político como olhar nos olhos quando fala com as pessoas, saber escutar, se interessar pelo o que o eleitor fala e manter sempre um sorriso no rosto são essenciais na corrida eleitoral e pode fazer a diferença no pleito. Se eu pudesse dar uma dica principal seria: Faça com que as pessoas se sintam importantes, chame o eleitor pelo nome, seja sincero, não falso, porque o eleitor sabe quando o candidato é falso e não transmite verdade.
Finalizo meu primeiro artigo para o Ceará Notícias dando mais uma dica aos que desejam se candidatar nesse ano de 2020, seja a Prefeito ou vereador. Duda Mendonça, uma das maiores autoridades do marketing eleitoral do Brasil, que assinou várias campanhas dentre elas a campanha histórica que levou Lula ao poder em 2002, já dizia “o candidato deve conquistar a admiração da população”. Quando o eleitor admira um candidato, como consequência acredita mais em suas propostas e em seus projetos. Portando, conquiste a admiração do seu eleitorado através de uma construção positiva da sua imagem, seja verdadeiro e acima de tudo seja ético e tenha boas atitudes.
*Paulo Ermeson é consultor em marketing político e institucional, já atuou em várias campanhas eleitorais no Ceará. É formado em História pelo INTA e estuda Marketing na Faculdade Maurício de Nassau.





